domingo, 10 de julho de 2016

Talvez Hoje

Talvez hoje:

Surgirá quem procure ditar-lhe o que você precisa fazer, entretanto, embora agradecendo as elogiáveis intenções de quem lhe oferece pontos de vista, ouça, antes de tudo, a sua própria consciência quanto ao dever que lhe cabe; 

é possível apareça algum coração amigo impondo-lhe quadros de pessimismo e perturbação, relativamente às dificuldades do mundo; compadecendo-se, porém, da criatura que se entrega ao derrotismo e ao desânimo, você observará a renovação para o bem que a Sabedoria Divina promove em toda parte;

é provável que essa ou aquela pessoa queira impor a você idéias de fadiga e doenças; mas conquanto a sua gratidão aos que lhe desejem bem estar, você prosseguirá trabalhando e servindo ao alcance de suas forças;

possivelmente, notícias menos agradáveis venham a suscitar-lhe inquietações e traçar-lhe problemas; no entanto, você conservará a própria paz e não se desligará das suas orações e pensamentos de otimismo e esperança.

Talvez hoje tudo pareça contra você, mas você prosseguirá compreendendo e agindo, em apoio do bem, guardando a certeza de que Deus está conosco e de que amanhã será outro dia.

ANDRÉ LUIZ

sábado, 9 de julho de 2016

Sábias Palavras

Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio.
Sê digno de confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar alegre e amável.
Sê um tesouro para o pobre, um conselheiro para o rico;
Responde ao apelo do necessitado e preserva sagrada a tua promessa.
Sê imparcial em teu juízo e cauteloso no que dizes.
A ninguém trates com injustiça e mostra toda humildade a todos os homens.
Sê como uma lâmpada para aqueles que andam nas trevas,
Sê causa de júbilo para o entristecido, um mar para o sequioso,
Um refúgio para o aflito, um apoio e defensor da vítima da opressão.
Que a integridade distinga todos os teus atos.
Sê um lar para o estranho, um bálsamo para quem sofre,
Uma torre de força para o fugitivo.
Para o cego deves tu ser olhos, e
Para os pés dos errantes, uma luz que guie.


por 
http://www.mensagemespirita.com.br/md/bahaullah/sabias-palavras

A Piedade

III – A Piedade

MICHEL
Bordeaux, 1862
            17 – A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos. É a irmã de caridade que vos conduz para Deus. Ah!, deixai vosso coração enternecer-se, diante das misérias e dos sofrimentos de vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que derramais nas suas feridas. E quando, tocados por uma doce simpatia, conseguis restituir-lhes a esperança e a resignação, que ventura experimentais! É verdade que essa ventura tem um certo amargor, porque surge ao lado da desgraça; mas se não apresenta o forte sabor dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio deixado por estes; pelo contrário, tem uma penetrante suavidade, que encanta a alma.
            A piedade, quando profundamente sentida, é amor: o amor é devotamento é o olvido de si mesmo; e esse olvido, essa abnegação pelos infelizes, é a virtude por excelência, aquela mesma que o divino Messias praticou em toda a sua vida, e ensinou na sua doutrina tão santa e sublime. Quando essa doutrina for devolvida à sua pureza primitiva, quando for admitida por todos os povos, ela tornará a Terra feliz, fazendo reinar na sua face à concórdia, a paz e o amor.
            O sentimento mais apropriado a vos fazer progredir, domando vosso egoísmo e vosso orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade, essa piedade que vos comove até as fibras mais íntimas, diante do sofrimento de vossos irmãos, que vos leva a estender-lhes a mão caridosa e vos arranca lágrimas de simpatia. Jamais sufoqueis, portanto, em vossos corações, essa emoção celeste, nem façais como esses endurecidos egoístas que fogem dos aflitos, para que a visão de suas misérias não lhes perturbe por um instante a feliz existência. Temei ficar indiferente, quando puderdes ser úteis! A tranqüilidade conseguida ao preço de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do Mar Morto, que oculta na profundeza de suas águas a lama fétida e a corrupção.
            Quanto a piedade está longe, entretanto, de produzir a perturbação e o aborrecimento de que se arreceia o egoísta! Não há dúvida que a alma experimenta, ao contato da desgraça alheia, confrangendo-se, um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente. Mas compensação é grande, quando conseguis devolver a coragem e a esperança a um irmão infeliz, que se comove ao aperto da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo umedecido de emoção e recolhimento, se volta com doçura para vós, antes de se elevar ao céu, agradecendo por lhe haver enviado um consolador, um amparo. A piedade é a melancólica, mas celeste precursora da caridade, esta primeira entre as virtudes, de que ela é irmã, e cujos benefícios prepara e enobrece.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires

sexta-feira, 8 de julho de 2016

No Olho do Furacão

As dificuldades e os problemas são circunstâncias naturais na vida de qualquer pessoa.
Mais dia, menos dia, as dores nos alcançam e nos tocam, alterando nossa rotina, tirando nosso sono.
De repente, tudo que parecia estável e tranquilo se transforma.
Como se o sol ficasse encoberto por escuras e densas nuvens.
Como se as flores perdessem a cor e o perfume.
De uma hora para outra, o chão parece nos fugir, e a nossa realidade assume uma dimensão jamais imaginada.
De repente, o furacão chega, arrastando consigo nosso sossego e revirando sem piedade nossas existências.
Ora é o emprego perdido, dificultando a manutenção digna da família, diante dos compromissos financeiros assumidos.
Ora são amores que partem, inviabilizando projetos de felicidade e de ventura.
Ou filhos que se afastam do caminho do bem, em busca de prazeres fugidios que, mais adiante, lhes trarão inevitáveis sofrimentos.
Ora são mentiras que nos ferem.
Ora são verdades usadas como armas com o objetivo exclusivo de magoar.
A dificuldade nos chega como uma onda violenta.
Sem alarde ela se aproxima e, subitamente, arrasta-nos sem clemência, destruindo nossos frágeis castelos de areia.
Nesses momentos, as lágrimas turvam nossa visão e a voz do desespero invade nosso pensamento.
Torna-se, então, difícil pensar com clareza e avaliar a situação de modo sereno.
A tendência natural, infelizmente, é afundar nesse charco de tristeza, afogando-nos em mágoas, fechando os olhos para as luzes do dia.
Cremos que nosso sofrimento é o maior do mundo e que ninguém jamais foi tão desafortunado quanto nós.
Fechamos os olhos e só conseguimos visualizar a nossa dor.
Estamos no olho do furacão, vivendo nossa dificuldade em plenitude, incapazes de perceber algo, um pouco mais adiante.
*   *   *
Quando estivermos numa situação dessas, paremos um pouco e reflitamos.
Não olhemos apenas as pedras do chão que nos ferem os pés, durante a caminhada.
Ergamos o olhar em busca do horizonte e da alvorada que sucede toda noite escura e sem luar.
Percebamos a presença de amigos e de amores que estendem as mãos na tentativa sincera de auxiliar.
Encaremos nossa dificuldade com os olhos da imparcialidade, a fim de dimensionar o problema, sem exageros descabidos.
Procuremos enxergar com mais clareza e avaliar melhor os estragos e as soluções possíveis.
Os contratempos que nos atingem, os problemas que nos afetam, são sempre situações passageiras e que podem ser superadas.
Em tudo que nos acontece, dores e venturas, sucessos e fracassos, há sempre a presença e a Providência Divinas.
Não desistir, não sucumbir, é a parte que nos cabe.
Acreditar e superar, eis a nossa missão diária.
Se voltarmos um pouco nossos olhos para a estrada do passado, veremos quantas correntezas violentas e desfiladeiros assustadores já ultrapassamos.
Obstáculos que antes nos pareciam insuperáveis, agora, à distância, ganham contornos diferentes e não nos assustam mais.
Tudo, logo mais, terá passado, até mesmo a tempestade que ora assola, ou o fogo que agora arde e consome.
Cada um de nós, Espírito imortal, sobreviverá sempre, a tudo, amparado eternamente pelo amor do Pai.
 Redação do Momento Espírita.
Em 8.7.2016.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Mãe

O Espírito culpado em lágrimas vagueia,
O tempo é o mar de dor em que se perde agora
É um duende a gemer na lagoa que o devora,
Entre muros mentais, ergue a própria cadeia.

Quer voltar ao passado ... Implora, titubeia ...
Nisso, a idéia de Deus é faísca de aurora
A surgir-lhe no peito e o peito se lhe enflora,
Dá-se à luz da oração e a fé se lhe incendeia ...

A prece alcança o Azul e, às súbitas, se eleva,
Alguém volve cio Alto aos turbilhões da treva,
Afaga o sofredor, cansado e maltrapilho ...

E uma a de Deus, quando em sono profundo,
Abre os braços de Mãe para trazê-lo ao mundo,
Ele nasce e ela canta:
- “Ah! Meu filho!...meu filho!...”



Pelo Espírito Narcisa Amália  - Do livro: Recanto de Paz, Médium: Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Problemas Desnecessários

Certo dia, uma águia olhou para baixo, do alto do seu ninho, e viu uma coruja.
“Que estranho animal!” - Pensou consigo mesma. “Certamente não se trata de um pássaro.”
Movida pela curiosidade, abriu suas grandes asas e pôs-se a descer voando em círculos.
Ao aproximar-se da coruja, perguntou:
“Quem é você? Como é seu nome?”
“Sou a coruja.” - Respondeu o pobre pássaro, em voz trêmula, tentando se esconder atrás de um galho.
“Como você é ridícula!” - Riu a águia, sempre voando em torno da árvore.
“Só tem olhos e penas! Vamos ver”, acrescentou, pousando num galho, “vamos ver de perto como você é. Deixe-me ouvir sua voz. Se for tão bonita quanto sua cara vou ter que tapar os ouvidos.”
Enquanto isso, a águia tentava, por meio das asas, abrir caminho por entre os galhos para apanhar a coruja.
Porém, um fazendeiro havia colocado, entre os galhos da árvore, diversos ramos cobertos de visgo, e também espalhara visgo nos galhos maiores.
Subitamente, a águia se viu com as asas presas à árvore e, quanto mais lutava para se desvencilhar, mais grudadas ficavam suas penas.
A coruja lhe disse:
“Águia, daqui a pouco o fazendeiro vai chegar, apanhar você e trancá-la numa grande gaiola. Ou talvez a mate para vingar-se pelos cordeiros que comeu.
Você, que passou toda a sua vida no céu, livre de qualquer perigo, tinha alguma necessidade de vir até aqui para caçoar de mim?”
*   *   *
A fábula nos remete a reflexões em torno de nossa própria forma de ser.
É de nos indagarmos quantas vezes, simplesmente pelo prazer de nos imiscuirmos em questões que não nos dizem respeito, criamos problemas para nós mesmos.
Vejamos, por exemplo, a fofoca. Quando recebemos uma informação e passamos a repeti-la, de boca a ouvido, ou pelas redes sociais, sem nos indagarmos da sua veracidade, podemos criar dificuldades para nós.
A mais simples é de vermos nosso nome mencionado aqui e acolá, com desprezo ou com reservas, pela forma da nossa divulgação.
Afinal, diz-se, que quem de outro fala mal a um amigo, poderá, em breve, igualmente, desse amigo comentar com terceiros.
Consequência mais grave é nos envolvermos em processo que invoque indenização por dano moral daquele de quem passamos adiante acontecimentos, inverídicos ou não.
Ou podemos ser chamados à barra dos tribunais para prestarmos testemunho exatamente do que divulgamos, sem termos sido a fonte original.
Outro exemplo é nos inserirmos em discussões de terceiros, a respeito de assuntos polêmicos e delicados.
Nossos apartes poderão ser tidos como intromissão indevida e poderemos ouvir apontamentos desagradáveis.
Dessa forma, a fim de evitarmos nos emaranharmos, como a águia, ficando prisioneiros das nossas palavras e atitudes, pensemos bem antes de falar e de agir.
Não nos permitamos divulgar apontamentos desairosos sobre quem quer que seja.
O mal não merece divulgação em tempo algum, salvo se for para salvaguardar o bem-estar de pessoas ou instituições.
Meditemos a respeito.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A águia, do livro Fábulas e lendas, de Leonardo da Vinci,
ed. Salamandra.
Em 4.7.2016.

O Céu Estrelado

Léon Denis
Um livro grandioso, dissemos, está aberto aos nossos olhos, e todo observador paciente pode ler nele a palavra do enigma, o segredo da vida eterna.
Aí se vê que uma vontade dispôs a ordem majestosa em que se agitam todos os destinos, se movem todas as existências, palpitam todos os corações. Ó alma! aprende primeiro a suprema lição que desce dos espaços sobre as frontes apreensivas. O Sol está escondido no horizonte; seus alvores de púrpura tingem ainda o céu; luz serena indica que, além, um astro se velou aos nossos olhos. A noite estende acima de nossas cabeças seu zimbório constelado de estrelas.
Nosso pensamento se recolhe e procura o segredo das coisas. Voltemo-nos para o oriente. A Via Láctea expande, qual imensa fita, suas miríades de estrelas, tão aconchegadas, tão longínquas, que parecem formar uma contínua massa. Por toda parte, à medida que a noite se torna mais densa, outras estrelas aparecem, outros planetas  e acendem qual se fossem lâmpadas suspensas no santuário divino. Através das profundezas insondáveis, esses mundos permutam os seus raios de prata; impressionam-nos, a distância, e nos falam uma linguagem muda.
Eles não brilham todos com o mesmo fulgor: a potente Sírius não se pode comparar à longínqua Capela. Suas vibrações gastaram séculos a chegar até o nosso olhar, e cada um de seus raios vale por um cântico, uma verdadeira melodia de luz, uma voz penetrante. Esses cânticos se resumem assim: “Nós também somos focos de vida, de sofrimento, de evolução. Almas, aos milhares, cumprem, em nós, destinos semelhantes aos vossos”.
Entretanto, todos não têm a mesma linguagem, porque uns são moradas de paz e de felicidade, e outros, mundos de luta, de expiação, de reparação pela dor. Uns parecem dizer: Eu te conheci, alma humana, alma terrestre; eu te conheci e hei de te tornar a ver! Eu te abriguei em meu seio outrora, e tu voltarás a mim. Eu te espero, para, por tua vez, guiares os seres que se agitam em minha superfície!
E depois, mais longe ainda, essa estrela que parece perdida no fundo dos abismos do céu e cuja luz trêmula é apenas perceptível, essa estrela nos dirá:
Eu sei que tu passarás pelas terras que formam meu cortejo, e que eu inundo com os meus raios; eu sei que tu aí sofrerás e te tornarás melhor. Apressa a tua ascensão. Eu serei e sou já para contigo uma vera amiga, porque até mim chegou o teu apelo, tua interrogação, tua prece a Deus.
Assim, todas as estrelas nos cantam seu poema de vida e amor, todas nos fazem ouvir uma evocação poderosa do passado ou do futuro. Elas são as “moradas” de nosso Pai, os estádios, os marcos soberbos das estrelas do Infinito, e nós aí passaremos, aí viveremos todos para entrar um dia na luz eterna e divina.
Espaços e mundos, que maravilhas nos reservais? Imensidades sidéreas, profundezas sem limites, dais a impressão da majestade divina. Em vós, por toda parte e sempre, está a harmonia, o esplendor, a beleza! Diante de vós, todos os orgulhos caem, todas as vanglórias se desvanecem. Aqui, percorrendo suas órbitas imensas, estão astros de fogo perto dos quais o nosso Sol não é mais que simples facho. Cada um deles arrasta em seu séquito um imponente cortejo de esferas que são outros tantos teatros da evolução. Ali, e assim na Terra, seres sensíveis vivem, amam, choram. Suas provações e suas lutas comuns criam entre si laços de afeto que crescerão pouco a pouco. E é assim que as almas começam a sentir os primeiros eflúvios desse amor que Deus quer dar a conhecer a todos. Mais longe, no insondável abismo, movem-se mundos maravilhosos, habitados por almas puras, que conheceram o sofrimento, o sacrifício, e chegaram aos cimos da perfeição; almas que contemplam Deus em sua glória, e vão, sem jamais cansar, de astro em astro, de sistema em sistema, levar os apelos divinos.
Todas essas estrelas parecem sorrir, qual se fossem amigas esquecidas. Seus mistérios nos atraem. Sentimos que são a herança que Deus nos reserva. Mais tarde, nos séculos futuros, conheceremos essas maravilhas que nosso pensamento apenas toca. Percorreremos esse infinito que a palavra não pode descrever em uma linguagem limitada.
Há, sem dúvida, nessa ascensão, degraus que não podemos contar, tão numerosos são, mas nossos guias nos ajudarão a subi-los, ensinando-nos a soletrar as letras de ouro e de fogo, a divina linguagem da luz e do amor. Então o tempo não terá mais medida para nós. As distâncias não mais existirão. Não pensaremos mais nos caminhos obscuros, tortuosos, escarpados, que seguimos no passado, e aspiraremos às alegrias serenas dos seres que nos tiverem precedido e que traçam, por meio de jorros de luz, nosso caminho sem-fim. Os mundos em que houvermos vivido terão passado; não serão mais que poeira e detritos; mas nós guardaremos a deliciosa impressão das venturas colhidas em suas superfícies, das efusões do coração que começaram a unir-nos a outras almas irmãs. Conservaremos a muito cara e dolorosa lembrança dos males partilhados e não seremos mais separados daqueles que tivermos amado, porque os laços são entre as almas os mesmos que entre as estrelas. Através dos séculos e dos lugares celestes, subiremos juntos para Deus, o grande Foco de Amor que atrai todas as criaturas!
Fonte: Transcrito do livro O grande
enigma. 16. ed. 1. imp. Brasília, FEB
Editora, 2014.

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...