terça-feira, 21 de abril de 2026

Justiça das Aflições

  1 – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os que padecem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. (Mateus, V: 4, 6 e 10).

2 – Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Bem-aventurados os que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque rireis. (Lucas, VI: 20 e 21)

Mas ai de vós, ricos, porque tendes no mundo a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque gemereis e chorareis. (Lucas, VI: 24 e 25). 

JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES

3 – As compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra só podem realizar-se na vida futura. Sem a certeza do porvir, essas máximas seriam um contra-senso, ou mais ainda, seriam um engodo. Mesmo com essa certeza, compreende-se dificilmente a utilidade de sofrer para ser feliz. Diz-se que é para haver mais mérito. Mas então se pergunta por que uns sofrem mais do que outros; por que uns nascem na miséria e outros na opulência, sem nada terem feito para justificar essa posição; por que para uns nada dá certo, enquanto para outros tudo parece sorrir? Mas o que ainda menos se compreende é ver os bens e os males tão desigualmente distribuídos entre o vício e a virtude; ver homens virtuosos sofrer ao lado de malvados que prosperam. A fé no futuro pode consolar e proporcionar paciência, mas não explica essas anomalias, que parecem desmentir a justiça de Deus.

Entretanto, desde que se admite a existência de Deus, não é possível concebê-lo sem suas perfeições infinitas. Ele deve ser todo poderoso, todo justiça, todo bondade, pois sem isso não seria Deus. E se Deus é soberanamente justo e bom, não pode agir por capricho ou com parcialidade. As vicissitudes da vida têm, pois, uma causa, e como Deus é justo, essa causa deve ser justa. Eis do que todos devem compenetrar-se. Deus encaminhou os homens na compreensão dessa causa pelos ensinos de Jesus, e hoje, considerando-os suficientemente maduros para compreendê-la, revela-a por completo através do Espiritismo, ou seja, pela voz dos Espíritos.


O Evangelho Segundo o Espiritismo

- Capítulo 5 – BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

    por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires

    Vida após a morte

     A vida após a morte segundo o : O que acontece na hora da morte segundo o Espiritismo? Quanto tempo e  fica no corpo após a morte? Quanto tempo o espírito fica na Terra após a morte?

    Na Revista Espírita de Julho de 1865, lemos:

    Dia virá em que os homens, vencidos pelos males engendrados pelo egoísmo, compreenderão que seguem o caminho errado, e Deus quer que eles encontrem o caminho à sua custa, porque lhes deu o livre arbítrio. O excesso do mal lhes fará sentir a necessidade do bem, e eles se voltarão para este lado [o do bem], como para a única tábua de salvação. Quem os levará a isto? A fé séria no futuro, e não a crença no nada após a morte; a confiança num Deus bom e misericordioso, e não o medo dos suplícios eternos.

    Como é a vida após a morte segundo o espiritismo?

    A vida após a morteO que acontece na hora da morte segundo o Espiritismo?

    Segundo a , de acordo com as próprias palavras do , com a lógica e a mais rigorosa justiça, o homem é filho de suas obras, durante esta vida e após a morte; ele não deve nada ao favor: Deus recompensa-o pelos seus esforços, e pune-o pela negligência enquanto for negligente. O que acontece é uma mudança do lado material para o lado espiritual.

    O que diz O ?

    Na pergunta 149 de O Livro dos Espíritos lemos:

    “Que sucede à alma no instante da morte?” e a resposta não poderia ser mais clara: “Volta a ser Espírito, isto é, volve ao mundo dos Espíritos, donde se apartara momentaneamente.”.

    Já na questão 150 do mesmo livro,  questiona: “A alma, após a morte, conserva a sua individualidade?” e os espíritos categoricamente afirmam: “Sim; jamais a perde. Que seria ela, se não a conservasse?”

    A questão 152, fecha o tema com a perqunta:

    “Que prova podemos ter da individualidade da alma depois da morte?”

    Com a resposta dos espíritos:

    “Não tendes essa prova nas comunicações que recebeis? Se não fôsseis cegos, veríeis; se não fôsseis surdos, ouviríeis; pois que muito amiúde uma voz vos fala, reveladora da existência de um ser fora de vós.” e Kardec comenta dizendo que os que pensam que, pela morte, a alma reingressa no todo universal estão em erro. Se eles supõem que, semelhante à gota d’água que cai no oceano, ela perde ali a sua individualidade.

    O que o Espiritismo tem para nos contar sobre a vida após a morte?

    A doutrina espírita nos ensina que o processo de desencarne é algo que depende muito de cada pessoa e de como ela viveu sua vida. Não existe uma regra geral que agrupe todos os casos.

    Kardec resume os diferentes processos de desencarne, os agrupando quanto ao momento em que se dão e quanto à facilidade ou dificuldade do processo e seus efeitos no espírito:

    “Se no momento em que se extingue a vida orgânica o desprendimento do perispírito fosse completo, a alma nada sentiria absolutamente.

    Se nesse momento a coesão dos dois elementos (os dois corpos: espiritual e carnal) estiver no auge de sua força, produz-se uma espécie de ruptura que reage dolorosamente sobre a alma.

    Se a coesão for fraca, a separação torna-se fácil e opera-se sem abalo.

    Se após a cessação completa da vida orgânica existirem ainda numerosos pontos de contato entre o corpo e o , a alma poderá ressentir-se dos efeitos da decomposição do corpo, até que o laço inteiramente se desfaça”

    Na pergunta 155 de O Livro dos Espíritos encontramos a seguinte questão:

    Há uma linha divisória bem marcada entre a vida e a morte?

    E a resposta esclarece o que acontece na hora da morte:

    “Não; a alma se desprende gradualmente e não escapa como um pássaro cativo subitamente libertado. Porque os dois estados se tocam e se confundem, de maneira que o Espírito se desprende pouco a pouco dos seus liames; estes se soltam e não se rompem.”

    Quanto tempo e espírito fica no corpo após a morte?

    Cada espirito tem a sua história e suas necessidade de aprendizado e são esses fatores, mais a Compaixão Divina que atenua a nossa caminhada na Terra, que determina o tempo necessário entre as .

    Após o período de readaptação do desencarnado ao  ele começa uma fase que pode ser mais ou menos longa de aprendizado e revisão das suas encarnações, sempre com o objetivo do aprendizado das  e do crescimento moral do espírito.

    Caso os mentores espirituais achem necessário uma encarnação esse processo é iniciado, com a maior ou menor participação do indivíduo que vai encarnar, segundo o seu adiantamento moral.

    Quanto tempo o espírito fica na Terra após a morte?

    Aqui a resposta é parecida com a data para o tempo que o espírito fica no plano espiritual após a morte: depende do espírito. Em termos gerais, esse tempo depende do desprendimento do ser dos temas da Terra, de como ela levou a sua encarnação no planeta terrestre.

    Se foi uma pessoa muito ligada aos bens materiais, que nunca cuidou de seu espírito, esse processo será mais lento, por conta da conexão de pensamento e vibratória que o espírito tem com as coisas terrenas.

    Caso o espírito consiga contrabalançar as preocupações do nosso planeta com as questões morais e espirituais, na hora de seu desencarne estará mentalmente mais preparado para deixar tudo para trás e seguir no caminho do plano espiritual.

    Um caso extremo é o suicídio, que vai precisar ser tratado em um verbete em separado.

    Como lidar com a Morte

    Queremos sugerir a você o estudo “Como lidar com a Morte” com Dr. Roberto Lúcio da AMEMG, onde é abordado o medo da morte por ser a maior causa de medo que o homem carrega.

    É morte é vista não apenas por seu significado restrito de cessação da vida, mas também e principalmente por todos os medos advindos da ideia de morte, como aniquilamento, impermanência, perdas, sofrimento, ser enterrado vivo e da qualidade de morrer.

    Dr. Roberto explica o porquê desses medos bem como o fato de nem os grupos materialistas, nem os espiritualistas e, dentre estes últimos nem os reencarnacionistas, conseguirem acabar com esse medo e termina lendo belíssima historia do livro “Histórias da Vida, nos passos do Mestre”, enfocando o fato de termos que aprender a lidar definitivamente com a finitude e a infinitude da vida.

    Fonte: vida após a morte | Espiritismo.tv

    A Consciência

     Você se questionou, em algum momento, por que age na sociedade de maneira correta?

    Ou se indagou, alguma vez, o que o motiva a agir de acordo com as leis?

    Ou, ainda, o que o leva agir buscando ter sempre a medida do respeito ao próximo?

    Muitos responderiam a essas questões dizendo que o fazem por obrigação, ou por medo das penalidades previstas nas leis.

    Porém, outros responderiam que se esmeram em agir, de maneira correta e adequada, simplesmente porque acham certo.

    Para aqueles que assim pensamos, verificamos que não é a força de uma lei ou o temor de ser penalizado que rege nossa conduta.

    Procedemos dessa forma porque temos a convicção de que é correto. Simples assim.

    Certa feita, um jovem, ao tentar estacionar seu carro na rua, cometeu um deslize ao volante e acabou amassando a lataria do carro à frente.

    A rua vazia, ninguém à vista, o horário adiantado colaboravam para que a ação não tivesse testemunhas.

    Ele, contudo, sem titubear, escreveu breve bilhete, pedindo desculpas pelo acontecido, colocou seu nome e telefone para contato a fim de que pudesse acertar o conserto e deixou preso ao para-brisa do veículo com o qual colidira, embora de forma leve.

    Nada externo o obrigou assim proceder. Apenas o sentimento do dever, inscrito em sua consciência, conduziu aquele motorista à acertada ação.

    Isso acontece conosco. Na medida em que amadurecemos, à proporção que entendemos melhor nossa relação perante a vida e o próximo, as atitudes corretas deixam de ser imposições. Simplesmente as realizamos.

    Quando entendemos que as leis da vida maior são pautadas na justiça e respeito, passamos a exercitar tais valores em nosso dia a dia.

    Então, não temos necessidade da legislação que coage e obriga.

    Não teremos nossas ações pautadas pelo olhar vigilante de qualquer autoridade, ou porque as pessoas farão esse ou aquele comentário.

    Nossas ações não serão traçadas pela vantagem que podemos ter, ou por ser a maneira mais conveniente naquele momento.

    Tudo que fizermos terá por simples base a consciência e o dever.

    Esse é o exercício que nos cabe: o esforço de bem agir, de maneira consciente e devida.

    Para tal exercício basta, ao final de cada dia, repassando mentalmente as ações realizadas, perguntar a si mesmo, se alguém tem algo a dizer contra nós.

    Revivendo cada atitude, cada diálogo, cada decisão tomada, verificaremos o certo realizado, o indevido concretizado, na curta jornada.

    E, se em algum momento, tivermos dúvida da maneira correta de proceder, basta nos perguntemos como gostaríamos que outro agisse para conosco.

    A resposta a essa pergunta nos dará o norte e a referência absolutamente correta.

    Dessa forma, nesse exercício constante de análise e reflexão, iremos, aos poucos, construindo esse sentimento de dever, de justiça e responsabilidade em relação ao próximo.

    A partir de então, a legislação mais justa e o juiz mais severo estarão dentro de nossa intimidade, convidando-nos sempre ao bem proceder.

    Fonte: ..:: Momento Espírita ::..

    Redação do Momento Espírita.
    Em 13.4.2026.

    quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

    O Juiz Reto


    Ao tribunal de Eliaquim ben Jefté, juiz respeitável e sábio, compareceu o negociante Jonatan ben Cafar arrastando Zorobabel, miserável mendigo.

    - Este homem - clamou o comerciante, furioso - impingiu-me um logro de vastas proporções! Vendeu-me um colar de pérolas falsas, por cinco peças de ouro, asseverando que valiam cinco mil. Comprei as jóias, crendo haver realizado excelente negócio, descobrindo, afinal, que a preço delas é inferior a dois ovos cozidos. Reclamei diretamente contra a mistificador, mas este vagabundo já me gastou o rico dinheiro. Exijo para ele as penas da justiça! É ladrão reles e condenável!...

    O magistrado, porém, que cultuava a Justiça Suprema, recomendou que o acusado se pronunciasse por sua vez:

    - Grande juiz - disse ele, timidamente -, reconheço haver transgredido os regulamentos que nos regem. Entretanto, tenho meus dois filhos estirados na cama e debalde procuro trabalho digno, pois mo recusam sempre, a pretexto de minha idade e de minha pobre apresentação. Realmente, enganei o meu próximo e sou criminoso, mas prometo resgatar meu débito logo que puder.

    O juiz meditou longamente e sentenciou:

    - Para Zorobabel, o mendigo, cinco bastonadas entre quatro paredes, a fim de que aprenda a sofrer honestamente, sem assalto à bolsa dos semelhantes, e, para Jonatan, a mercador, vinte bastonadas, na praça pública, de modo a não mais abusar dos humildes.

    O negociante protestou, revoltado:

    - Que ouço?! Sou vítima de um ladrão e devo pagar por faltas que não cometi? Iniqüidade! iniqüidade!...

    O magistrado, todavia, bateu forte com um martelo sobre a mesa, chamando a atenção dos presentes, e esclareceu, em voz alta:

    - Jonatan ben Cafar, a justiça verdadeira não reside na Terra para examinar as aparências. Zorobabel, o vagabundo, chefe de uma família infeliz, furtou-te cinco peças de ouro, no propósito de socorrer as filhos desventurados, porém, tu, por tua vez, tentaste roubar dele, valendo-te do infortúnio que a persegue, apoderando-te de um objeto que acreditaste valer cinco mil peças de ouro ao preço irrisório de cinco. Quem é mas nocivo a sociedade, perante Deus: o mísero esfomeado que rouba um pão, a fim de matar a fome dos filhos, ou a homem já atendido pela Bondade do Eterno, com os dons da fortuna e da habilidade, que absorve para si urna padaria inteira, a fim de abusar, calculadamente, da alheia indigência? Quem furta por necessidade pode ser um louco, mas quem acumula riquezas, indefinidamente, sem movimentá-las no trabalho construtivo ou na prática do bem, com absoluta despreocupação pelas angústias dos pobres, muita vez passará por inteligente e sagaz, aos olhos daqueles que, no mundo, adormeceram no egoísmo e na ambição desmedida, mas é malfeitor diante do Todo-Poderoso que nos julgará a todos, no momento oportuno.

    E, sob a vigilância de guardas robustos, Zorobabel tomou cinco bastonadas em sala de portas lacradas, para aprender a sofrer sem roubar, e Jonatan apanhou vinte, na via pública, de modo a não mais explorar, sem escrúpulos, a miséria, a simplicidade e a confiança do povo.

    XAVIER, Francisco Cândido. Alvorada Cristã. Pelo Espírito Neio Lúcio. FEB.

    sábado, 18 de dezembro de 2021

    O Natal do Cristo

     A Sabedoria da Vida situou o Natal de Jesus frente do Ano Novo, na memória da Humanidade, como que renovando as oportunidades do amor fraterno, diante dos nossos compromissos com o Tempo.

    Projetam-se anualmente, sobre a Terra os mesmos raios excelsos da Estrela de Belém, clareando a estrada dos corações na esteira dos dias incessantes, convocando- nos a alma, em silêncio, à ascensão de todos os recursos para o bem supremo.

    A recordação do Mestre desperta novas vibrações no sentimento da Cristandade.

    Não mais o estábulo simples, nosso pr6prio espírito, em cujo íntimo o Senhor deseja fazer mais luz...

    Santas alegrias nos procuram a alma, em todos os campos do idealismo evangélico

    Natural o tom festivo das nossas manifestações de confiança renovada, entretanto, não podemos olvidar o trabalho renovador a que o Natal nos convida, cada ano, não obstante o pessimismo cristalizado de muitos companheiros, que desistiram temporariamente da comunhão fraternal.

    E o ensejo de novas relações, acordando raciocínios enregelados com as notas harmoniosas do amor que o Mestre nos legou.

    E a oportunidade de curar as nossas próprias fraquezas retificando atitudes menos felizes, ou de esquecer as faltas alheias para conosco, restabelecendo os elos da harmonia quebrada entre nós e os demais, em obediência à lição da desculpa espontânea, quantas vezes se fizerem necessárias.

    È o passo definitivo para a descoberta de novas sementeiras de serviço edificante, atrav6s da visita aos irmãos mais sofredores do que n6s mesmos e da aproximação com aqueles que se mostram inclinados à cooperação no progresso, a fim de praticarmos, mais intensivamente, o princípio do "amemo-nos uns aos outros".

    Conforme a nossa atitude espiritual ante o Natal, assim aparece o Ano Novo à nossa vida.

    O aniversário de Jesus precede o natalício do Tempo.

    Com o Mestre, recebemos o Dia do Amor e da Concórdia.

    Com o tempo, encontramos o Dia da Fraternidade Universal.

    O primeiro renova a alegria.

    O segundo reforma a responsabilidade.

    Comecemos oferecendo a Ele cinco minutos de pensamento e atividade e, a breve espaço, nosso espírito se achará convertido em altar vivo de sua infinita boa vontade para com as criaturas, nas bases da Sabedoria e do Amor.

    Não nos esqueçamos.

    Se Jesus não nascer e crescer, na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos Novos se abrirão iluminados para nós.

    Pelo Espírito Emmanuel

    XAVIER, Francisco Cândido. Fonte de Paz. Espíritos Diversos. IDE. Capítulo 12.

    Um Natal de Contrastes

     Bimbalham sinos, símbolos da festa,

    Seja na vila soberba ou modesta,
    Para anunciar a volta do Natal.
    Por toda a Terra corações gritantes,
    Pranto patético e ulos lancinantes,
    Dos que não têm Jesus como fanal.

    Rebrilham luzes piscando lanternas...
    Vão desatando alegrias internas
    Em louvor à riqueza possuída.
    Entanto, há vales em sombra avultada
    Com gente perdida na caminhada,
    Sem ter Jesus como verdade e vida.

    Aqui, farfalham papéis de presentes,
    Ali, brinquedos quais jóias luzentes
    A exalçar a magia dessa noite.
    Há, contudo, muitas outras criaturas
    Que se arrastam carentes, inseguras,
    A suportar da indiferença o açoite.

    Trocam-se mimos caros, maravilhas...
    Jarros pomposos lembram velhas bilhas,
    Taças brindam, são gestos de carinho.
    Mas, no mundo, há quem chore ao abandono,
    A sentir-se aturdido cão sem dono,
    Sem buscar em Jesus o seu caminho.

    Mesa farta, bem composta comida,
    Tida como o maior prazer da vida,
    A exercer saborosa sedução.
    Entretanto, almas há que, em agonia,
    Experimentam fome todo dia,
    Sem saber que da vida é o Cristo o pão.

    Cantam vozes nos templos ajaezados,
    Onde círios e flores bem cuidados
    Complementam a sentida homenagem.
    Vale pensar que o Mestre vindo ao mundo
    Envolve a todos no amor mais fecundo,
    Sem perder os que se encontram à margem.

    É Natal, cantamos com euforia!
    Há mudanças em torno e alegria
    A irmanar-nos em doce comunhão.
    É Natal! Glória a Deus lá nas alturas!
    Que nos movamos em prol das criaturas
    Tendo vivo Jesus no coração.

    Que aprendamos, na evocação bendita,
    A pensar mais na humanidade aflita
    Junto à qual tantas bênçãos recebemos.
    Que o nosso Natal possa ser de altruísmo
    Que nos ajude a vencer o egoísmo
    Em que, por ora, na Terra vivemos.

    Seja o amor nossa inspiração mais doce,
    Como se junto a Jesus cada um fosse
    Erguer a flama fraternal em hastes.
    Se aprendermos a diminuir a agrura,
    Cada Natal terá menos secura,
    Diminuindo também tantos contrastes.

    Seja, então, nosso Natal mais festivo,
    Cada qual sendo o agente mais ativo
    A laborar por Cristo, de verdade.
    Que, assim, de olhos nas Alturas entoemos
    Louvor Ao que dos Páramos Supremos
    Deu-nos Jesus: nossa Felicidade!

    Raul Teixeira. Pelo Espírito Ivan de Albuquerque. Mensagem psicografada pelo médium Raul Teixeira, em 06.10.2003, na Sociedade Espírita Fraternidade, Niterói-RJ.

    Ante o Natal

     "625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?" "Jesus". O LIVRO DOS ESPÍRITOS

    Considerando a alta significação do Natal em tua vida, podes ouvir e atender os apelos dos pequeninos esquecidos no grabato da orfandade ou relegados às palhas da miséria, em memória de Jesus quando menino; consegues compreender as dificuldades dos que caminham pela via da amargura, experimentando opróbrio e humilhação e dás-lhes a mão em gesto de solidariedade humana, recordando Jesus nos constantes testemunhos; abres os braços em socorro aos enfermos, estendendo-lhes o medicamento salutar ou o penso balsamizante, desejando diminuir a intensidade da dor, evocando Jesus entre os doentes que O buscavam, infelizes; ofereces entendimento aos que malograram moralmente e se escondem nos recantos do desprezo social, procurando-os para os levantar, reverenciando Jesus que jamais se furtou à misericórdia para os que os foram colhidos nas malhas da criminalidade, muitas vezes sob o jugo de obsessões cruéis; preparas a mesa, decoras o lar, inundas a família de alegrias e cercas os amigos de mimos e carinho pensando em Jesus, o Excelente Amigo de todos...

    Tudo isto é Natal sem dúvida, como mensagem festiva que derrama bênçãos de consolo e amparo, espalhando na Terra as promessas de um Mundo Melhor, nos padrões estabelecidos por Jesus através das linhas mestras do amor.

    Há, todavia, muitos outros corações junto aos quais deverias celebrar o Natal, firmando novos propósitos em homenagem a Jesus.

    Companheiros que te dilaceraram a honra e se afastaram; amigos que se voltaram contra a tua afeição e se fizeram adversários; conhecidos caprichosos que exigiram alto tributo de amizade e avinagraram tuas alegrias; irmãos na fé que mudaram o conceito a teu respeito e atiraram espinhos por onde segues; colaboradores do teu ideal, que sem motivo se levantaram contra teu devotamento, criando dissensão e rebeldia ao teu lado; inimigos de ontem que se demoram inimigos hoje; difamadores que sempre constituíram dura provação. Todos eles são oportunidade para a celebração do Natal pelo teu sentimento cristão e espírita.

    Esquece os males que te fizeram e pede-lhes te perdoem as dificuldades que certamente também lhes impuseste.

    Dirige-lhes um cartão colorido para esmaecer o negrume da aversão que os manteve em silêncio e à distância nos quais, talvez, inconscientemente te comprazes.

    Provavelmente alguns até gostariam de reatar liames... Dá-lhes esta oportunidade por amor a Jesus, que a todo instante, embora conhecendo os inimigos os amou sem cansaço, oferecendo-lhes ensejos de recuperação.

    O Natal é dádiva do Céu à Terra como ocasião de refazer e recomeçar.

    Detém-te a contemplar as criaturas que passam apressadas. Se tiveres olhos de ver percebê-las-ás tristes, sucumbidas, como se carregassem pesados fardos, apesar de exibirem tecidos custosos e aparência cuidada. Explodem facilmente, transfigurando a face e deixando-se consumir pela cólera que as vence implacavelmente.

    Todas desejam compreensão e amor, entendimento e perdão, sem coragem de ser quem compreenda ou ame, entenda ou perdoe.

    Espalha uma nova claridade neste Natal, na senda por onde avanças na busca da Vida.

    Engrandece-te nas pequenas doações, crescendo nos deveres que poucos se propõem executar. Desde que já podes dar os valores amoedados e as contribuições do entendimento moral, distribui, também, as jóias sublimes do perdão aos que te fizeram ou fazem sofrer.

    Sentirás que Jesus, escolhendo um humílimo refúgio para viver entre os homens semeando alegrias incomparáveis, nasce, agora, no teu coração como a informar-te que todo dia é natal para quem o ama e deseja transformar-se em carta-viva para anunciá-lo às criaturas desatentas e sofredoras do mundo.

    Somente assim ouvirás no imo d’alma e entenderás a saudação inesquecível dos anjos, na noite excelsa:

    "Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade, para com os homens" - vivendo um perene natal de bênçãos por amor a Jesus.

    FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 60.

    Justiça das Aflições

        1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...