terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O Dever

I – O Dever

LÁZARO
Paris, 1863
            7 – O dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo, e depois para com os outros. O dever é a lei da vida: encontramo-lo nos mínimos detalhes, como nos atos mais elevados. Quero falar aqui somente do dever moral, e não do que se refere às profissões.
            Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de ser cumprido, porque se encontra em antagonismo com as seduções do interesse e do coração. Suas vitórias não têm testemunhas, e suas derrotas não sofrem repressão. O dever íntimo do homem está entregue ao seu livre arbítrio: o aguilhão da consciência, esse guardião da probidade interior, o adverte e sustenta, mas ele se mostra freqüentemente impotente diante dos sofismas da paixão. O dever do coração, fielmente observado, eleva o homem. Mas como precisar esse dever? Onde ele começa? Onde acaba? O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo, e termina no limite que não desejaríeis ver transposto em relação a vós mesmos.
            Deus criou todos os homens iguais para a dor; pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelos mesmos motivos, a fim de que cada um pese judiciosamente o mal que pode fazer. Não existe o mesmo critério para o bem, que é infinitamente mais variado nas suas expressões. A igualdade em relação à dor é uma sublime previsão de Deus, que quer que os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não cometam o mal desculpando-se com a ignorância dos seus efeitos.
            O dever é o resumo prático de todas as especulações morais. É uma intrepidez da alma, que enfrenta as angústias da luta. É austero e dócil, pronto a dobrar-se às mais diversas complicações, mas permanecendo inflexível diante de suas tentações. O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais que as criaturas, e as criaturas mais que a si mesmo; é a um só tempo, juiz e escravo na sua própria causa.
            O dever é o mais belo galardão da razão; ele nasce dela, como o filho nasce da mãe. O homem deve amar o dever, não porque ele o preserve dos males da vida, aos quais a humanidade não pode subtrair-se, mas porque ele transmite à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
            O dever se engrandece e esplende, sob uma forma sempre mais elevada, em cada uma das etapas superiores da humanidade. A  obrigação moral da criatura para com Deus jamais cessa, porque ela deve refletir as virtudes do Eterno, que não aceita um esboço imperfeito, mas deseja que a grandeza da sua obra resplandeça aos seus olhos.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Recado de Natal

Um recado de servidor a cada coração amigo, ante o Natal de Jesus.
Nunca te deixes vencer pelo desânimo.
Acenda a luz da  no próprio íntimo e segue adiante, trabalhando e servindo.
Diante das dificuldades que te desafiem, recorda aquelas outras que te figuravam inarredáveis e que superaste, sem conhecer as forças que te sustentaram nos transe amargos.
Considerando as crises que provavelmente surjam à frente de teus passos, rememora os perigos que te ameaçaram e dos quais te descartaste, ignorando de que modo conseguiste preservar a própria vida.
Suportando inquietações que se te agigantem aos olhos no cotidiano, lembra-te das aflições que passaste perante os sofrimentos de pessoas que se te fazem especialmente queridas, atiradas ao desequilíbrio e que regressaram à tranqüilidade, socorridas por energias que desconheces.
Se a provação te visita, asserena-te no amparo da  e aguarda o auxílio ponderável'>imponderável da Espiritualidade Maior, que nem sempre registras.
Em qualquer tribulação, deixa que os teus sentimentos se acalmem e espera a intervenção da ProvidênciaDivina.
Não temas e serve sempre.
Os Mensageiros do Bem jamais nos abandonam.
Ainda mesmo nos dias em que a enfermidade do corpo te desajuste o campo orgânico, não te amedrontes e conta com o Amor da Vida Espiritual que jamais desfalece. 
Seja qual for a prova ou a dor em que te vejas, serve e confia-te a Jesus, porque Jesus é a Presença da Bondade Infinita de Deus, diante da qual não existe o impossível.


Emmanuel

Óbolo da viúva

O Óbolo da Viúva

5 – E estando Jesus assentado defronte donde era o gazofilácio, observava ele de que modo deitava o povo ali o dinheiro; e muitos, que eram ricos, deitavam com mão larga. E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que importavam um real. E convocando seus discípulos, lhes disse: Na verdade vos digo, que mais deitou esta pobre viúva do que todos os outros que deitaram no gazofilácio. Porque todos os outros deitaram do que tinham na sua abundância; porém esta deitou da sua mesma indulgência tudo o que tinha, e tudo o que lhe restava para seu sustento. (Marcos, XII: 41-44 – Lucas, XXI: 1-4).
            6 – Muita gente lamenta não poder fazer todo o bem que desejaria, por falta de recursos, e se querem a fortuna, dizem, é para bem aplicá-la. A intenção é louvável, sem dúvida, e pode ser muito sincera de parte de alguns; mas o seria de parte de todos, assim completamente desinteressados? Não haverá os que, inteiramente empenhados em beneficiar os outros, se sentirão bem de começar por si mesmos, concedendo-se mais algumas satisfações, um pouco mais do supérfluo que ora não têm, para dar aos pobres apenas, o resto? Este pensamento oculto, talvez dissimulado, mas que encontrariam no fundo do coração, se o sondassem, anula o mérito da intenção, pois a verdadeira caridade faz antes pensar nos outros que em si mesmo.

       O sublime da caridade, nesse caso, seria procurar cada qual no seu próprio trabalho, pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de sua capacidade, os recursos que lhe faltam para realizar suas intenções generosas. Nisso estaria o sacrifício mais agradável ao Senhor. Mas, infelizmente, a maioria sonha com meios fáceis de se enriquecer, de um golpe e sem sacrifícios, correndo atrás de quimeras, como a descoberta de tesouros, uma oportunidade favorável, o recebimento de heranças inesperadas, e assim por diante. Quer dizer dos que esperam encontrar, para os secundar nessas buscas, auxiliares entre os Espíritos? É evidente que eles nem conhecem nem compreendem o sagrado objetivo do Espírito, e menos ainda a missão dos Espíritos, aos quais Deus permite comunicarem-se com os homens. Mas justamente por isso, são punidos pelas decepções. (Livro dos Médiuns, nº 294 e 295).
            Aqueles cuja intenção é desprovida de qualquer interesse pessoal, deve consolar-se de sua impotência para fazer o bem que desejariam, lembrando que o óbolo do pobre, que o tira da sua própria privação, pesa mais na balança de Deus que o ouro do rico, que dá sem privar-se de nada. Seria grande a satisfação, sem dúvida, de poder socorrer largamente a indigência; mas, se isso é impossível, é necessário submeter-se a fazer o que se pode. Aliás, não é somente com o ouro que se podem enxugar as lágrimas, e não devemos ficar inativos por não o possuirmos. Aquele que deseja sinceramente tornar-se útil para os seus irmãos, encontra mil ocasiões de fazê-lo. Que as procure e as encontrará. Se não for de uma maneira, será de outra, pois não há uma só pessoa, no livre gozo de suas faculdades, que não possa prestar algum serviço, dar uma consolação, amenizar um sofrimento físico ou moral, tomar uma providência útil. Na falta de dinheiro, não dispõe cada qual do seu esforço, do seu tempo, do seu repouso, para oferecer um pouco aos outros? Isso também é a esmola do pobre, o óbolo da viúva.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires

Doentes e Doenças

Doroteia não saía dos consultórios médicos.
A cada dia, apresentava novos sintomas de desconforto, inquietações, dores que não tinham fim.
Realizados complexos exames, nada foi constatado.
Sua filha, desalentada, e mesmo cansada de tantos embates sem sucesso, procurou ajuda com amiga terapeuta.
Essa, que a conhecia de muito tempo, buscou saber se a mãe continuava com aquelas mesmas ideias mórbidas, negativas, de antes.
E, diante da confirmação, falou, com sinceridade:
Os sintomas que sua mãe apresenta são reflexos dos pensamentos negativos que ela alimenta.
A ação do pensamento sobre a saúde, é incontestável.
A jovem disse que já lera algo acerca do assunto, se convencera a respeito e que tentara fazer com que sua mãe compreendesse a inconveniência de sua forma de pensar, mas não obtivera êxito até então.
Tenho esperança de que, algum dia, isso se modifique. – Disse, concluindo o diálogo.
*   *   *
A cultura ocidental acorda lentamente para essa realidade.
Prendemo-nos tanto às aparências que deixamos de perceber nossa realidade maior.
É muito importante compreender que nossa vida é o reflexo daquilo que cultivamos no mundo interior.
Cada órgão de nosso corpo físico sofre a influência dos pensamentos, sentimentos e emoções que agasalhamos.
Quando ficamos ansiosos, aumentamos a secreção de adrenalina que vai descontrolar nosso sistema nervoso.
Quando o pessimismo toma conta de nosso ser, sofremos perturbações no aparelho digestivo.
O medo e a revolta causam úlceras gástricas e duodenais.
O ódio, a raiva, quando alimentados por muito tempo, podem causar tumores.
Sendo a Lei Divina perfeita, o contrário também se dá.
Se optarmos por pensamentos e sentimentos elevados, serenos, positivos, as reações salutares serão a resposta.
A tranquilidade, o amor, o otimismo são estimulantes da harmonia emocional e orgânica, com efeitos saudáveis sobre o corpo.
*   *   *
Somos o que pensamos.
Nossos pensamentos são energias a sintonizarem com outras energias da mesma categoria.
E, como tudo na vida, pela afinidade, pensamentos iguais se atraem e se influenciam, mutuamente, nas mesmas faixas das ondas mentais.
Aos nossos pensamentos, se somam os dos desencarnados, que se intercomunicam com os homens por esse mesmo mecanismo.
Importante, portanto, pensar de forma edificante.
Atrair pensamentos salutares e otimistas, assumindo postura positiva frente à vida.
Quando pensamos em amor e paz, alegria e união, recebemos estímulos equivalentes.
Se vivermos a cultivar insucessos, só colheremos derrotas.
Cada um é responsável pelo seu campo mental, tanto no semear, como no colher. Dependendo dassementes que espalharmos, assim colheremos.
Como vivemos mergulhados num mar de emissões mentais, os Espíritos identificam essas emissões e são atraídos de acordo com o que lhes seja de interesse.
Assim, bons Espíritos estarão conosco quando nossos pensamentos forem positivos. E as vibrações se somarão às nossas, resultando em harmonia e equilíbrio.
Pensemos nisso e cultivemos saúde mental e física. 
Redação do Momento Espírita.
Em 19.12.2015.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Quadras

Ser cego e nada ver
Na triste noite escura,
E ver depois a luz
Da aurora de ventura;

Chorar na escuridão
Em dores mergulhado,
E após o sofrimento
Ter gozo ilimitado;

Sorver dentro da treva
O fel das amarguras,
Depois, buscar o amor
Nas lúcidas alturas;

É possuir tesouros
De paz, de vida e luz,
No sacrossanto abrigo
Do afeto de Jesus.
Pelo Espírito Casimiro Cunha- Do livro: Parnaso de Além Túmulo, Médium: Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Renovação

A árvore aceitou

Os desígnios da vida

Que lhe pediam serviço.

Mas, quando se acreditou

Definitivamente despojada,

Notou que a

Divina Providência

A revestiu de folhas

E flores novas,

Ao toque da primavera.
Pelo Espírito Emmanuel- Do livro: Deus Sempre, Médium: Francisco Cândido Xavier

Resiliência

Resiliência é a capacidade da pessoa se recobrar facilmente ou se adaptar às adversidades ou às mudanças.
Também pode ser entendida como a capacidade de vencer obstáculos, permitindo-se o aprendizado a partir dos problemas e até ajudar o próximo.
Perdas, traumas emocionais, sentimentos marcantes interferem, por vezes, de forma negativa, na vida de milhares de pessoas.
Para algumas, problemas e desafios são apenas pequenas barreiras, logo transpostas. Contudo, para outras pessoas, se transformam em gigantescas muralhas.
E é exatamente nesse momento que entra a resiliência, essa capacidade de o indivíduo lidar com problemas, de superar obstáculos, de transformar traumas em aprendizados ou de resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto psicológico.
A advogada maranhense Marlene, com uma carreira bem sucedida na Procuradoria Pública, uma condição financeira invejável, se descobriu grávida pela terceira vez.
Aos quarenta anos, recebeu a notícia, dada pelo próprio médico, de que sua filha nasceria com Síndrome de Down e não viveria além dos doze anos.
Ela se sentiu precipitar em um buraco negro. Parecia ser o fim do mundo, do seu mundo. Ela não tinha conhecimento a respeito da Síndrome e os meses seguintes foram de luto, dor e muitos questionamentos.
Por que comigo? O que foi que eu fiz de errado?
Marlene sentiu raiva, ficou deprimida e, por último, resolveu ir à luta. No dizer de uma psicóloga clínica, ela começou a ver que podia tirar uma flor de uma pedra.
O primeiro passo foi se esclarecer a respeito do que era a Síndrome de Down.
E, para oferecer à filha melhores condições, saiu de sua terra natal, demandando localidade que oferecesse todas as oportunidades possíveis para que sua filha se pudesse desenvolver.
E Mayara nasceu. Hoje, com vinte e oito anos, está feliz. Trabalha, namora. Tem uma vida normal.
Mas, mais do que superar o trauma inicial e proporcionar à filha as melhores condições para seu desenvolvimento, amparando-a em todas as fases, Marlene optou por auxiliar ao próximo.
Hoje, ela é presidente da Associação Reviver Down, uma entidade sem fins lucrativos que reúne pais e pessoas com Síndrome de Down.
Ali, ela compartilha a sua experiência com pais de portadores de deficiência.
Superando a questão que a alcançou, um dia, Marlene demonstrou a importância da resiliência ante o desafio.
E atendendo ao propósito de auxiliar a que outras pessoas não necessitem passar por seus mesmos traumas e pavores, se dedica a repassar a sua experiência, multiplicando benefícios.
Uma história de coragem. Uma história de superação e de amor que demonstra que o ser humano é sempre mais forte do que imagina.
E que, afinal, ninguém recebe fardo maior do que possam suportar seus ombros. Deus é sábio e conhece a fortaleza de cada um dos seus filhos.
Por que nem sempre vencemos? Porque, por vezes, deixamos, exatamente, de acionar essas alavancas internas, nossa força moral.
Porque nos permitimos influenciar por aqueles que nos dizem que não conseguiremos vencer.
Pensemos nisso e sigamos os exemplos de superação.
Redação do Momento Espírita, com base no artigo Do desafio à superação, de Willian Bressan,
 do 
Jornal Gazeta do Povo, de 20.9.2015.
Em 14.12.2015.

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...