sábado, 7 de setembro de 2019

Escândalos: Cortar a Mão

Escândalos: Cortar a Mão


                 11 – O que escandalizar, porém, a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de atafona, e o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos. Porque é necessário que sucedam escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo. Ora, se a tua mão, ou o teu pé, te escandaliza, corta-o e lança-o fora de ti. Melhor te é entrar na vida manco ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo do inferno. E se o teu olho te escandaliza, tira-o, e lança-o fora de ti. Melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois, seres lançado no fogo do inferno. Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos declaro que os seus anjos no céu incessantemente estão vendo a face de meu Pai, que está nos céus. Porque o Filho do Homem veio a salvar o que havia perecido. (Mateus, XVIII: 6-11).
             E se o teu olho direito te serve de escândalo, arranca-o e lança-o fora de ti; porque melhor te é que se perca um de teus membros, do que todo o teu corpo ser lançado no inferno. E se a tua mão direita te serve de escândalo, corta-a e lança-a fora de ti; porque melhor te é que se perca um dos teus membros, do que todo o teu corpo ir para o inferno. (Mateus, V: 29-30).
             12 – Em seu sentido vulgar, escândalo é tudo aquilo que choca a moral ou as conveniências, de maneira ostensiva. O escândalo não está propriamente na ação, mas nas repercussões que ela pode ter. A palavra escândalo implica sempre a ideia de um certo estrépito. Muitas pessoas se contentam com evitar o escândalo, porque o seu orgulho sofreria com ele e a sua consideração diminuiria entre os homens, procurando ocultar as suas torpezas, o que lhes basta para tranquilizar a consciência. Esses são, segundo as palavras de Jesus: “sepulcros brancos por fora, mas cheios de podridão por dentro; vasos limpos por fora, mas sujos por dentro”.
            No sentido evangélico, a acepção da palavra escândalo, tão frequentemente empregada, é muito mais ampla, motivo por que não é compreendida em certos casos. Escândalo não é somente o que choca a consciência alheia, mas tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições humanas, todas as más ações de indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussões. O escândalo, nesse caso, é o resultado efetivo do mal moral.
            13 – É necessário que sucedem escândalos no mundo, disse Jesus, porque os homens, sendo ainda imperfeitos, têm inclinação para o mal, e porque as más árvores dão maus frutos. Devemos pois entender, por essas palavras, que o mal é uma consequência da imperfeição humana, e não que os homens tenham obrigação de praticá-lo.
            14 – É necessário que venha o escândalo, para que os homens, em expiação na Terra, se punam a si mesmos, pelo contato de seus próprios vícios, dos quais são as primeiras vítimas, e cujos inconvenientes acabam por compreender. Depois que tiverem sofrido o mal, procurarão o remédio no bem. A reação desses vícios serve, portanto, ao mesmo tempo de castigo para uns e de prova para outros. É assim que Deus faz sair o bem do mal, e que os próprios homens aproveitam as coisas más ou desagradáveis.
            15 – Se assim é, dir-se-á, o mal é necessário e durará sempre, pois se viesse a desaparecer, Deus ficaria privado de um poderoso meio de castigar os culpados. É inútil, portanto, procurar melhorar os homens. Mas, se não houvesse culpados, não haveria necessidade de castigos. Suponhamos a humanidade transformada numa comunhão de homens de bem: nenhum procuraria fazer mal ao próximo, e todos seriam felizes, porque seriam bons. Tal é o estado dos mundos adiantados, dos quais o mal foi excluído. Tal será o estado da Terra, quando houver progredido suficientemente. Mas enquanto certos mundos avançam, outros se formam, povoados por Espíritos primitivos, e que servem ainda de morada, de exílio e de lugar de expiação para os Espíritos imperfeitos, rebeldes, obstinados no mal, rejeitados pelos mundos que se tornam felizes.
            16 – Mas  ai daquele por quem vem o escândalo: quer dizer que o mal sendo sempre o mal, aquele que serviu, sem o saber, de instrumento para a justiça divina, sendo utilizados os seus maus instintos, nem por isso deixou de fazer o mal, e deve ser punido. É assim, por exemplo, que um filho ingrato é uma punição ou uma prova para o pai que o suporta, porque esse pai talvez tenha sido um mau filho, que fez sofrer o seu pai, e agora sofre a pena de talião. Mas o filho não terá desculpas por isso, e deverá ser castigado por sua vez, através dos seus próprios filhos ou de outra maneira.
            17 – Se tua mão te serve de causa de escândalo, corta-a: figura enérgica, que seria absurdo tomar-se ao pé da letra, e que significa simplesmente a necessidade de destruirmos em nós todas as causas de escândalo, ou seja, do mal. É necessário arrancar do coração todo sentimento impuro e toda tendência viciosa. Quer dizer ainda que mais vale para o homem ter a mão cortada, do que esta ser para ele o instrumento de uma ação má; ser privado da vista, do que os seus olhos lhe servirem para maus pensamentos. Jesus nada disse de absurdo, para quem souber compreender o sentido alegórico e profundo das suas palavras; mas muitas coisas não podem ser compreendidas, sem a chave oferecida pelo Espiritismo.
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Por ALLAN KARDEC

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Gratidão

Gratidão
Agradeço, alma querida e boa,
A presença e o carinho
Com que vens partilhar a festa da
amizade,
Espargindo esperança ao longo do
caminho.

Sei que deixastes obrigações ao longe
Para colaborar
No alívio aos companheiros que
carregam
Solidão, abandono, infortúnio,
pesar...

Trocaste as horas de refazimento,
De alegria e lazer,
Para aceitar conosco o amparo aos
semelhantes
Por sublime dever.

A ternura fraterna que nos trazes
Lembra clarão de renascente aurora,
Dissipando, de chofre, a sombra que
domina,
A dor que se tresmalha e a penúria que
chora.

Pôs mais rebusque o mundo das
palavras,
Não consigo compor
A frase que enalteça ou que defina
O teu gesto de amor.

Por isso, digo apenas,
Ante a luz da oração que nos bendiz:
- Deus te guarde, alma irmã, Deus te
compense,
Deus te faça feliz!...


Autor: Meimei
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 3 de setembro de 2019

A Verdade

Muito se fala sobre a verdade. Dizem que a verdade sempre aparece, mais cedo ou mais tarde. Nada pode deter a sua marcha, no tempo.
No entanto, alguns de nós, por vezes ficamos a pensar que ela deveria ser mais ágil. Afinal, conhecemos na História da Humanidade, quantas vezes ela foi ofuscada por interesses de poderosos de toda sorte.
Conta-se que quando foi coroado rei da Pérsia, Dario mandou dar uma grande festa para todos os seus súditos, espalhados em cento e vinte e sete províncias.
Terminada a festa, adormeceu, mas foi despertado pelas vozes alteradas de três rapazes que discutiam acerca do que seria a coisa mais forte do mundo.
Em vez de admoestá-los, ficou a escutá-los.
Decidiram que cada um escreveria uma frase dizendo o que era a coisa mais forte e submeteriam ao rei o julgamento.
E assim foi feito. As frases foram entregues ao soberano que, oportunamente, realizou uma convocação de nobres e conselheiros, na sala dos julgamentos.
Foi lida a primeira frase: O vinho é o mais forte.
Aquele que a escrevera, considerou que o vinho tem muita força. Tanta que pode transformar em tolos os homens mais grandiosos.
O rei poderoso e a criança ignorante se igualam sob sua força. Coloca nuvens na memória e torna discussões sem valor porque tudo cai no esquecimento.
A segunda frase dizia: O rei é o mais forte.
A justificativa do autor foi de que o rei tudo manda e é obedecido. Envia soldados para a guerra, condena pessoas à morte ou lhes concede o perdão.
Todos os súditos lhe devem obediência e ele faz o que lhe agrada. É apenas um homem, mas por ele os soldados cruzam montanhas, derrubam muralhas, atacam torres e depois de conquistado o país, lhe trazem o espólio.
A terceira frase afirmava: A verdade é mais forte que todas as coisas.
A defesa da tese foi ardorosa. Disse o jovem:
O rei pode ser perverso, o vinho é perverso. Os homens podem ser maus. Todos eles perecerão. Mas a verdade é eterna.
É sempre forte. Nunca morre. Tampouco é derrotada. Faz o que é justo. Não pode ser corrompida.
Não necessita do respeito das pessoas para existir. É grandiosa e soberana sobre todas as coisas.
E Dario julgou que o terceiro jovem era o mais sábio.
O jovem se chamava Zorobabel. Era um judeu e foi líder do seu povo, na época de seu retorno a Jerusalém do exílio na Babilônia.
Foi um dos reconstrutores do templo em Jerusalém.
*   *   *
A verdade sempre predomina. A verdade cresce à medida que o ser se desenvolve.
Ela se faz profunda, é sempre atual e enfrenta a razão em todas as épocas com os equipamentos da lógica e da realidade.
A verdade é pão que nutre, medicamento que cura, guia que conduz com equilíbrio.
Jamais fica desconhecida, por maiores sejam os obstáculos que se lhe anteponham.
Escapa a qualquer controle, por ser soberana, e, mesmo quando aparentemente morta, renasce.
Ninguém tem o direito de ocultar a verdade, qual se fosse uma luz que devesse ficar escondida. Onde se encontre, irradia claridade e calor.
Façamos a nossa parte.
Redação do Momento Espírita com base no cap. A verdade vencerá, de
Ella Lyman Cabot, de
O livro das virtudes, v. I, de William J. Bennett,
ed. Nova Fronteira e no cap.
Verdade libertadora, do livro  Sob a proteção
de Deus, por Diversos Espíritos, psicografia de Divaldo Pereira Franco,
ed. LEAL.
Em 2.9.2019.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Não Julgues

Não julgues o companheiro
Por desumano e insensato
Porque te não busque o trato,
Nas rosas de teu jardim.
Entende, ampara primeiro...
Não digas, em contra-senso:
– “Decerto, isso é como eu penso,
Deve aquilo ser assim...”.

Muita vez, quem vai ausente,
Do conforto que te afaga,
Mostra o peito aberto em chaga,
A golpes de provação.
E enquanto o céu te consente
A paz das horas seguras,
O pobre irmão que censuras
Traz fogo no coração.

De outras vezes, quem se isola,
Longe de falas e festas,
Não tem o mal que lhe emprestas,
Nem delibera fugir.
Apenas vive na escola
Do dever e da constância,
E se respira, a distância,
É para melhor servir.

Não vasculhes lodo e jaça,
Mirando a alheia conduta.
Quase sempre há dor e luta
Onde vês passo infiel.
Frequentemente, na taça
Que aparenta vinho oculto,
O pranto cresce de vulto,
Tisnado de angústia e fel.

Se ensinas a caridade,
Ouve Jesus que nos chama!
Não guardes vinagre e lama
Sob a fé que te conduz.
Acende a luz da bondade,
Porquanto também um dia
Mendigarás simpatia
Nas sombras da própria cruz!



Pelo Espírito Irene Ferreira de Souza Pinto - Do livro: Antologia dos Imortais, Médium: Francisco Cândido Xavier

Recados de Deus

Uma rua de uma única quadra. Entre casas bem pintadas, jardins com flores, aquela chama a atenção.
Destoa de todas as demais. Maltratada, suja.
No que fora um dia um jardim, o mato cresce alto e se balança ao sabor do vento.
Na calçada exterior, o canteiro também foi tomado pelo mato, que se desenvolve exuberante, sem que alguém o venha retirar.
É a residência de um idoso. Não sabemos exatamente a sua idade mas, seu aspecto desleixado, a barba e os cabelos crescidos lhe conferem um quadro de envelhecimento.
Tudo nele combina com a desolação, ao seu redor. Ou será que ele mesmo assim tudo compôs, para combinar com a sua tristeza?
Ficamos a pensar o que deve ter levado essa criatura a tudo abandonar, dessa forma. Se por fora a casa está assim, como estará lá dentro?
Poeira, roupas largadas pelos móveis, louça por lavar...
Não sabemos. Do que temos certeza é de que esse coração deve ter sido atingido por muita dor.
Quem terá ele entregue aos braços da morte: a esposa, filhos, os pais?
Por que se permite abraçar pela melancolia, pelos dias cinzentos de saudade sem consolo, chegando ao abismo da depressão?
No entanto, em seu jardim há uma mensagem. É um manacá que explode em flores de variadas tonalidades lilás. Algumas pétalas enfeitam o chão.
Entendemos. Para aquele coração amargurado e infeliz, Deus ordenou ao manacá que lhe sorrisse todos os dias.
E lá está ele, dizendo: Olhe para mim. Em meio à desolação, faça como eu. Sorria. Volte a viver.
O mundo ainda lhe reserva encantos. Não desista da vida, que é sagrado dom de Deus.
*   *   *
Como esse homem solitário, somos alguns de nós. Encolhemo-nos em nossa infelicidade e nada mais percebemos.
Não vemos o sol que brilha, acalentando-nos; o pássaro que voeja em nossa varanda e larga seus trinados sem errar nenhuma nota, nem desafinar.
Não damos atenção ao cão que nos vem lamber as mãos, erguendo as patas, como num abraço.
Não respondemos ao cumprimento do vizinho, que deseja rompamos nosso silêncio.
Durante muito tempo, imaginamos que Deus se manifestasse aos homens, surgindo das nuvens, entre toques de trombeta e visões espetaculares.
Entretanto, Ele não opera senão na intimidade da nossa consciência, e se serve do que nos rodeia para atestar da Sua Providência para conosco.
A natureza em festa, o vizinho que ensaia um diálogo, um filme que evoca os milagres do cotidiano.
Sim, Deus não nos abandona jamais.
De forma constante, nos envia Seus recados.
Se olharmos, agora, pela janela de nossa casa, do carro ou do ônibus, o que veremos?
As árvores que balançam e deixam cair as folhas, delicadamente, como numa alegre chuva de verão.
Um pássaro pousado num ramo, vibrando a flauta mágica da sua garganta.
Uma criança que corre, feliz, fugindo à babá que a tenta enlaçar.
Alguém que caminha, uma mochila às costas, assoviando uma canção...
Recados de Deus para alegrar a nossa alma e abrilhantar o nosso dia.
Pensemos nisso e exercitemos olhos e ouvidos porque somente enxerga quem tem olhos de ver. E somente ouve quem tem ouvidos de ouvir.
Redação do Momento Espírita
Em 24.8.2019

sábado, 24 de agosto de 2019

Definições

Trabalha constantemente,
Se queres ser nobre e forte,
O braço estendido à inércia
Oculta o favor da sorte.

Ama o trabalho singelo
Em doces gestos risonhos.
Mais valem dois pés servindo
Que as asas de muitos sonhos.

Se alguém te insulta a ferir-te
O anseio de amor e paz,
Não lamentes, nem te irrites...
Calando-te, vencerás.

Ajuda quanto puderes,
Espalha a consolação,
Ninguém consegue escapar
Ao tempo de provação.

Em toda e qualquer contenda,
Com quem for, seja onde for,
Fugindo, discretamente,
Serás sempre o vencedor.

Muitos “poucos” reunidos
Levantam obra esmerada
Porque, ás vezes, poucos “muitos”
Acaba em luta e nada.

Vive acima da calunia
Em que a maldade se exprime.
Aos olhos tristes da inveja
A própria virtude é crime.

Fiscaliza as palavrinhas
De humilde e pequena brasa,
Começa a lavrar o incêndio
Que devora toda a casa.

Vais bem se atendes ao bem.
Quando a duvida te invade.
A prudência vem de Cristo
Quando é sócia da bondade.

Ante os problemas dos outros
Emudece os lábios teus.
Em tudo sempre supomos
Mas quem sabe é sempre Deus.



pelo Espírito Casimiro - Do livro: Almas em Desfile, Médium: Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Síntese

Quem busca arrancar no mundo
A treva pela raiz,
Quanto mais sabe mais cala,
Quanto mais cala mais diz.

A Terra seria o Céu,
Se o homem por onde vá,
Seguisse vinte por cento
Dos bons conselhos que dá.

Aviso para ajudar
Raciocínio e lucidez:
Quanto serves, tanto vales,
Quanto sabes, tanto vês.

Quem te elogia ou te aprova
Não te vê como sorri;
Apenas diz a quem ouve
O que se espera de ti.

O que plantaste, plantaste;
Colherás conforme a lei.
Tudo o que deste ganhaste,
O que guardaste, não sei.



Pelo Espírito José Nava - Do livro: Trovas do Outro Mundo, Médium: Francisco Cândido Xavier 

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...