terça-feira, 9 de agosto de 2016

Ao Meu Pai

Recordo-o ainda. Ele saiu, em um dia de sol, para viajar e nunca mais retornou para nossos olhos físicos.
Quando o trouxeram, era somente um corpo dentro de um caixão. Lacrado, ademais, tendo em vista os dias passados desde a sua morte.
Meu pai era um homem alegre. Gostava de música, de dança, de estar com amigos, conversar, contar causos.
E ele os tinha às centenas. Toda vez que retornava de viagem, os filhos, éramos três os menores, nos reuníamos em torno da mesa, na cozinha ampla, para ouvi-lo.
Ele contava causos de forma pausada. Ia descrevendo as cenas, uma a uma, reproduzia os diálogos.
Por vezes, meu irmão e eu, mais impacientes, o interrompíamos: E daí, o que aconteceu? Conta logo.
Ele sorria mostrando seus dentes curtos, bem moldados. E continuava com a mesma calma, até o desfecho da história.
Tê-lo em casa era muito bom e significava que um de nós iria dormir na cama dos pais.
Por vezes, nossa mãe nos dizia que desejava ficar a sós com ele. Mas, mal despertava a madrugada, quem primeiro acordasse, corria para o quarto e se enfiava entre os dois.
Ele acordava e brincava conosco, fazendo cócegas, jogando travesseiro. Era uma festa!
Meu pai! Quantas saudades! Ele não era letrado. Desde bem jovem conhecera o trabalho duro.
Constituíra família cedo e os cinco filhos lhe exigiam que desse o máximo de si.
Insistia que precisávamos estudar. E estudar muito. A duras penas, pagou para cada um de nós o ensino fundamental, em escola particular.
Escolheu a melhor escola da cidade. Pagou cursos de piano, acordeon, violino para minha irmã, que cedo entrou para o mundo da música.
Meu irmão e eu não chegamos a tanto, mas fomos brindados com o que ele tinha de mais precioso.
Ensinou-nos a honestidade, ensinou-nos que melhor era ser enganado do que enganar.
Viveu no tempo em que a palavra de um homem era documento mais válido do que nota promissória, duplicata ou qualquer título financeiro.
Legou-nos um nome honrado e disse-nos que o dignificássemos, ao longo de nossa vida.
Olhava para mim, com orgulho e dizia: Um dia você será uma pessoa muito importante!
Hoje, quando viajo pelas estradas, muitas delas velhas conhecidas de meu pai, eu o recordo.
Será que ele sabia que um dia eu seria alguém que viajaria, esclarecendo pessoas, ofertando cursos?
Ele não conheceu todos os netos. Partiu para a Espiritualidade, em anos jovens, deixando-nos um grande silêncio n´alma.
Em homenagem a ele, em nossos aniversários, nas festas de Natal e Ano Novo, nos encontramos.
Rimos, ouvimos música, dançamos. Porque ele nos ensinou a sermos assim.
A vida é dura, mas nós a podemos adoçar, se quisermos. – É o que dizia.
Meu pai, meu mestre, onde estejas, Deus te guarde. Especialmente nesta época em que os pais são recordados pelos filhos, que os brindam com presentes.
Meus irmãos e eu te brindamos com a prece da nossa gratidão: obrigado por nos terdes dado a vida.
Obrigado por nos terdes ensinado a bem vivê-la.
Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 16, ed. FEP.
Em 9.8.2016

sábado, 6 de agosto de 2016

Reajuste

Toda obra, quanto a máquina que se move, pede um núcleo de força.

Observemos, no entanto, que a oficina do reajustamento de todos 

aqueles que asseguram a obra do Senhor na Terra não se localiza aí no mundo. 

Trabalhemos e os mensageiros de Jesus – mecânicos sublimes – saberão 

reequilibrar-nos, revisar-nos, sustentar-nos e colocar-nos dia a dia em posição de servir.

    • Batuira

  • Sobre o Autor

    • Nascido a 19 de março de 1839, em Portugal, na Freguesia de Águas Santas, hoje integrada no Conselho da Maia, e desencarnado em São Paulo, no dia 22 de janeiro de 1909. Seu nome de origem era Antônio Gonçalves da Silva, entretanto, devido a ser um moço muito ativo, correndo daqui para acolá, a gente da rua o apelidara "o batuíra", o nome que se dava à narceja, ave pernalta, muito ligeira, de vôo rápido, que freqüentava os charcos na várzea formada, no atual Parque D. Pedro II, em S. Paulo, pelos transbordamentos do rio Tamanduateí. Desde então o cognome "Batuíra" foi incorporado ao seu nome. Tornou- se um dos pioneiros do Espiritismo no Brasil. Fundou o "Grupo Espírita Verdade e Luz", onde, no dia 6 de abril de 1890, diante de enorme assembléia, dava início a uma série de explanações sobre "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Figura bastante popular em S. Paulo, Batuíra tornou-se querido de todos, tendo vários órgãos da imprensa leiga registrado a sua desencarnação e apologiado a sua figura exponencial de homem caridoso e dedicado aos sofredores.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Não Estrague Seu Dia

Não Estrague o Seu Dia


A sua irritação não solucionará problema algum.

As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.

Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.

O seu mau humor não modifica a vida.

A sua dor não impedirá que o Sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus.

A sua tristeza não iluminará os caminhos.

O seu desânimo não edificará a ninguém.

As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade.

As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.

Não estrague o seu dia.

Aprenda, com a Sabedoria Divina, a desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre para o Infinito Bem.



Autor: André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro: Agenda Cristã

Autodesobsessão

Autodesobsessão

Se você já pode dominar a intemperança
mental... 

Se esquece os próprios
constrangimentos, a fim de cultivar o 
prazer de servir... 

Se sabe cultivar o comentário infeliz, 
sem passá-lo adiante... 

Se vence a indisposição contra o 
estudo e continua, tanto quanto 
possível, em contato com a leitura 
construtiva... 

Se olvida mágoas sinceramente, 
mantendo um espírito compreensivo e
cordial, à frente dos ofensores... 

Se você se aceita como é, com as 
dificuldades e conflitos que tem, 
trabalhando com tudo aquilo que não 
pode modificar... 

Se persevera na execução dos seus
propósitos enobrecedores, apesar de
tudo que se faça ou fale contra 
você... 

Se compreende que os outros têm o
direito de experimentar o tipo de
felicidade a que se inclinem, como nos
acontece... 

Se crê e pratica o princípio de que
somente auxiliando o próximo, é que
seremos auxiliados... 

Se é capaz de sofrer e lutar na seara 
do bem, sem trazer o coração amargoso 
e intolerante... 

Então, você estará dando passos largos
para libertar-se da sombra, entrando, 
em definitivo, no trabalho da 
autodesobsessão. 




Autor: André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro: Passos da Vida

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Gratidão

Gratidão

gradeço, alma querida e boa,
A presença e o carinho
Com que vens partilhar a festa da amizade,
Espargindo esperança ao longo do caminho.

Sei que deixastes obrigações ao longe
Para colaborar
No alívio aos companheiros que carregam
Solidão, abandono, infortúnio, pesar...

Trocaste as horas de refazimento,
De alegria e lazer,
Para aceitar conosco o amparo aos semelhantes
Por sublime dever.

A ternura fraterna que nos trazes
Lembra clarão de renascente aurora,
Dissipando, de chofre, a sombra que domina,
A dor que se tresmalha e a penúria que chora.

Pôs mais rebusque o mundo das palavras,
Não consigo compor
A frase que enalteça ou que defina
O teu gesto de amor.

Por isso, digo apenas,
Ante a luz da oração que nos bendiz:
- Deus te guarde, alma irmã, Deus te compense,
Deus te faça feliz!...


Autor: Meimei
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro Taça de Luz

Luzes do Entardecer

Luzes do Entardecer

Conserva contigo os companheiros idosos, com a alegria de quem recebeu da vida o honroso encargo de reter, junto do coração, as luzes remanescentes do próprio grupo familiar.

Reflete, naqueles que te preservaram a existência ainda frágil, nos panos do berço; nos que te equilibraram os passos primeiros; nos que te afagaram os sonhos da meninice e naqueles outros que te auxiliaram a pronunciar o nome de Deus.

Já que atravessaram o caminho de muitos janeiros, pensa no heroísmo silencioso com que te ensinam a valorizar os tesouros do tempo, nas dificuldades que terão vencido para serem quem são, no suor que lhes alterou as linhas da face e nas lágrimas que lhes alvejaram os cabelos...

E quando, porventura, te mostrem azedume ou desencanto, escuta-lhes a palavra com bondade e paciência... 

Não estarão, decerto, a ferir-te e sim provavelmente algo murmurando contra dolorosas recordações de ofensas recebidas, que trancam no peito, a fim de não complicarem os dias dos seres que lhes são especialmente queridos!...

Ama e respeita os companheiros idosos! São eles as vigas que te escoram o teto da experiência e as bases de que hoje te levantas para seres quem és...

Auxilia-os, quanto puderes, porquanto é possível que, no dia da existência humana, venhas igualmente a conhecer o brilho e a sombra que assinalam, no mundo, a hora do entardecer.


Autor: Meimei
Psicografia de Chico Xavier

Para Tocar o Céu

Sempre fui destemida! Com estas palavras a norte-americana Jessica Cox se definiu.
Psicóloga graduada pela Universidade do Arizona, pianista, faixa preta em taekwondo, piloto de avião.
Atividades incomuns, mas não impossíveis de serem realizadas por uma mulher bastante esforçada de trinta e três anos.
Isso, se não fosse o fato de ter nascido sem os braços, por conta de uma enfermidade genética.
Atualmente, escreve vinte e cinco palavras por minuto utilizando seus pés, seca seus cabelos, aprendeu a se maquiar, trocar suas lentes de contato, dirige carros e é a primeira mulher, na História da aviação, que pilota sem os  braços.
Aviões não foram feitos para serem pilotados com os pés, mas não desisti enquanto não tirei minha licença, revela Jessica. Pois quando você está no ar, sente aquela sensação de liberdade sem limites.
*   *   *
Você já parou para pensar em tudo que é capaz de realizar? Ou perdeu tempo pensando naquilo que deixou de fazer?
O que lhe falta para tocar o céu?
Nós, que somos filhos de Deus, recebemos como legado do Senhor da Vida a mesma força criadora que o faz, sempre e sem cessar, criar, gerar, formar.
A criação faz parte de nossa essência.
Geramos pensamentos, sentimentos, inventamos, reinventamos: o homem está sempre ativo.
Esse contínuo criar é a alavanca do Universo, da natureza e de nós mesmos. Renovamo-nos diariamente por essa força criadora que age em nós e, através da qual, agimos no mundo.
O combustível dessa alavanca chama-se amor.
Jamais pensemos que algo é impossível. Jamais desistamos de um sonho. Dentro de nós, existe a força criadora que nos foi dada por Deus. Também a capacidade de amar, que faz com que tal força jamais cesse.
Mudanças nem sempre são fáceis. Todavia, ainda mais difícil é lembrar-se de um antigo ideal que ficou no passado, de longínquas palavras que gostaríamos de ter dito e não dissemos, do abraço apertado que se perdeu nas brumas do ontem.
Se nos faltam os braços da coragem, da fé, do perdão, da humildade, da esperança, mesmo assim jamais desistamos e nos utilizemos dos pés, a fim de construir virtudes, a fim de realizar nossos sonhos.
Pés que, por hora, podem ser inábeis, podem necessitar muito ainda de treino e habilidades que acreditamos não possuir, mas que nos farão, a seu tempo, tocar os céus do progresso, do amor e da felicidade.
*    *   *
De Bertold Brecht colhemos os versos:
Desconfiai do mais trivial
Na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito
Como coisa natural,
Pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural.
Nada deve parecer impossível de mudar.
*   *   *
Com que mãos, com que pés mudaremos o mundo? O nosso mundo?
O que nos falta para tocar o céu? 
Redação do Momento Espírita, com base na Biografia de
 Jessica Cox, colhida em http://www.marieclaire.com/culture/
news/a15657/armless-pilot-jessica-cox
 e com versos do poema 
Nada é impossível de mudar, de Bertold Brecht.
Em 3.8.2016.

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...