sexta-feira, 15 de maio de 2015

Alegria de Viver

Com certeza, já nos demos conta de como é gratificante o lazer.
As tantas atividades profissionais, de estudo ou domésticas, das quais não podemos nos esquivar, nos tomam as horas diárias.
Mas, não há quem de nós não consiga reservar alguns minutos para um cafezinho, um lanche breve, uma olhadela pela janela para descansar os olhos no azul do céu.
São momentos breves, que suavizam a rotina e nos recompõem as energias.
As leis trabalhistas do nosso país estabelecem que o empregado deva gozar férias, a cada período anual trabalhado. Também prescreve o descanso semanal.
Se compulsarmos a lei mosaica, verificaremos que se reporta ao Dia do Senhor, reservado ao repouso. Dia em que tarefa alguma deveria ser realizada.
Os Evangelhos, por sua vez, nos dizem que Jesus, após as atividades diárias com as pregações, as curas, os tantos atendimentos ao povo sofrido que O buscava, retirava-se para orar. No silêncio, dialogava com o Pai, refazendo-se pela oração.
As tradições espirituais informam que os Espíritos, igualmente, têm seus momentos de repouso. Naturalmente que, para eles, esse repouso é traduzido pela realização de uma tarefa diferente.
Por vezes, uma visita a planos mais elevados para reencontro com almas afins, que comungam dos mesmos nobres ideais.
Como o amor é imortal, os que viveram juntos experiências na carne, programam periódicos reencontros espirituais.
Nesses encontros fruem de inusitadas alegrias e retornam para seus labores, posteriormente, dedicados e refeitos.
*   *   *
Habitualmente, no início do ano, consultamos o calendário e assinalamos todos os feriados.
Principalmente, os feriadões, aqueles em que poderemos ter três, quatro dias de folga.
E, logo, começamos a nos programar. Para onde iremos? Com quem iremos? Como iremos?
Em verdade, os meses e semanas que antecedem esses dias são tomados por muitos preparativos: pesquisa de melhores preços de passagens, reservas de hotéis, compra de roupas apropriadas para a localidade que visitaremos...
Enfim, um rol enorme de providências que nos desgastam. Por vezes, se nossa viagem é para o Exterior, alguns de nós pretendemos conhecer vários países em um tempo curto. Para aproveitar, dizemos.
O que acaba acontecendo é uma grande correria, com subidas e descidas de ônibus, com visitas a museus, a praças, monumentos, tudo às pressas. Desejamos ver tudo e um tanto mais.
No final, retornamos exaustos. Às vezes, chegamos a ficar irritados, por causa do desgaste físico.
*   *   *
Raciocinemos um pouco. Programemos com calma nossas viagens, nossos passeios. Lembremos que, acima de tudo, isso nos deve constituir lazer, dar prazer.
Programemos tudo com mais calma. Aprendamos a correr menos e ver mais, usufruir momentos, situações.
Permitamo-nos sentir o prazer de respirar o ar marinho, de passeios pela orla, de banhos de sol a horas próprias.
Deixemo-nos extasiar pela beleza dos jardins, a arte da pintura, da música, da arquitetura.
Tudo com calma, com tempo, para gozar em plenitude as nossas folgas do trabalho profissional. Para retornarmos tranquilos, prontos para enfrentar mais alguns meses de atividades intensas.
Façamos do nosso lazer momentos de rara alegria de viver.
Permitamo-nos sentir o refazimento penetrar nossas veias, higienizar nossas ideias e renovar nossas energias.
Servirmo-nos do lazer com sabedoria faz parte da ciência de bem viver.
Redação do Momento Espírita.
Em 6.5.2015
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Saúde

A saúde é assim como a posição de uma residência que denuncia as condições do morador, ou de um instrumento que reproduz em si o zelo ou a desídia das mãos que o manejam.

A falta cometida opera em nossa mente um estado de perturbação, ao qual não se reúnem simplesmente as forças desvairadas de nosso arrependimento, mas também as ondas de pesar e acusação da vítima e de quantos se lhe associam ao sentimento, instaurando desarmonias de vastas proporções nos centros da alma, a percutirem sobre a nossa própria instrumentação.

Semelhante descontrole apresenta graus diferentes, provocando lesões funcionais diversas.

A cólera e o desespero, a crueldade e a intemperança criam zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se leira fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à resistência.

É assim que, muitas vezes, a tuberculose e o câncer, a lepra e a ulceração aparecem como fenômenos secundários, residindo a causa primária no desequilíbrio dos reflexos da vida interior.

Todos os sintomas mentais depressivos influenciam as células em estado de mitose, estabelecendo fatores de desagregação.

Por outro lado, importa reconhecer que o relaxamento da nutrição constrange o corpo a pesados tributos de sofrimento.

Enquanto encarnados, é natural que as vidas infinitesimais que nos Constituem o veículo de existência retratem as substâncias que ingerimos.

Nesse trabalho de permuta constante adquirimos imensa quantidade de bactérias patogênicas que, em se instalando comodamente no mundo celular, podem determinar moléstias infecciosas de variegados caracteres, compelindo-nos a recolher, assim, de volta, os resultados de nossa imprevidência.

Mas não é somente aí, no domínio das causas visíveis, que se originam os processos patológicos multiformes.

Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados enfermiços.

Os reflexos dos sentimentos menos dignos que alimentamos voltam-se sobre nós mesmos, depois de convertidos em ondas mentais, tumultuando o serviço das células nervosas que, instaladas na pele, nas vísceras, na medula e no tronco cerebral, desempenham as mais avançadas funções técnicas; acentue-se, ainda, que esses reflexos menos felizes, em se derramando sobre o córtex encefálico, produzem alucinações que podem variar da fobia oculta à loucura manifesta, pelas quais os reflexos daqueles companheiros encarnados ou desencarnados, que se nos conjugam ao modo de proceder e de ser, nos atingem com sugestões destruidoras, diretas ou indiretas, conduzindo-nos a deploráveis fenômenos de alienação mental, na obsessão comum, ainda mesmo quando no jogo das aparências possamos aparecer como pessoas espiritualmente sadias.

Não nos esqueçamos, assim, de que apenas o sentimento reto pode esboçar o reto pensamento, sem os quais a alma adoece pela carência de equilíbrio interior, imprimindo no aparelho somático os desvarios e as perturbações que lhe são consequentes.
Pelo Espírito Emmanuel - Do livro: Pensamento e Vida, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Blaise Pascal

    Blaise Pascal

    Certo dia, um menino de 10 anos bateu com uma colher num prato e escutou atentamente o som, que continuou a vibrar por algum tempo, parando, no entanto, quando o pequeno pôs a mão sobre o prato. 
    Com certeza, em muitos lugares do mundo, outros tantos garotos terão feito o mesmo e observado o fenômeno. Mas, só um gênio como Blaise Pascal resolveu investigar o mistério e escreveu um tratado sobre o som: "Traité des sons". 
    Nascido aos 19 de junho de 1623, em Clermont (Auvergue), cedo demonstrou a sua genialidade. Certo dia, o pai o encontrou a riscar, com um pedaço de giz, "rodas e barras" no soalho do seu quarto. Rodas e barras eram na verdade os círculos e as linhas retas da Geometria, traduzidos na linguagem infantil. 
    Logo mais provaria que a soma dos ângulos de um triângulo perfaz dois retos, resolvendo num passatempo, o 32º teorema de Euclides, cujo nome ignorava. 
    Na adolescência, aos 16 anos, escreveu um Tratado sobre as secções dos cones "Traité des sections coniques", um problema de alta Geometria, que assombrou o mundo profissional da época. O próprio Descartes, ao lê-lo, se recusou a acreditar tivesse sido escrito por um jovem dessa idade. 
    Dois anos mais tarde, construiu o jovem matemático uma máquina de contar, com o principal objetivo de aliviar seu pai dos complicados cálculos que necessitava fazer na sua lida com as finanças do Município. 
    Numa época em que não estavam aperfeiçoadas as tábuas logarítmicas, este engenho prestou grandes serviços aos que se ocupavam com a aritmética e mereceu numerosas reproduções. 
    Oportunamente, Pascal presenteou com uma dessas máquinas ao célebre Condé e a Rainha Cristina da Suécia, quando ela esteve na França. Mais tarde, entre seus 23 e 25 anos, interessou-se pelos estudos da Física, escrevendo sobre o "espaço vazio": "Nouvelles experiences touchant le vide". 
    Foi também nesta época que o pai de Blaise sofreu um acidente e, por permanecer longo período na cama, teve a lhe servir de enfermeiros dois fervorosos discípulos de Cornélio Jansênio que, ao se despedirem, deixando Etienne Pascal curado, deixaram toda a família Pascal profundamente impressionada com o ideal religioso. 
    Em outubro de 1654, estando Blaise Pascal a passear de carruagem por uma ponte, assustaram-se os cavalos, tendo dois deles se precipitado da ponte, após rompidos os arreios. Os outros, com a carruagem ficaram suspensos sobre o abismo, salvando a vida do cientista. Dizem alguns de seus biógrafos que este fato lhe teria produzido um violento abalo, fazendo-o se dedicar às questões religiosas. 
    Contudo, depois de sua morte foi encontrado, cosido no forro de sua vestimenta, um bilhete datado de 23 a 24 de novembro de 1654, em que ele relata uma espécie de êxtase que teria experimentado, e demonstra um desejoardente de se consagrar às coisas espirituais. 
    Escrevendo suas "Cartas Provinciais", Pascal apresenta a verdadeira Igreja do Cristo não circunscrita a uma determinada organização eclesiástica, menos ainda a determinados homens de um certo período, representando casualmente a Igreja, mesmo porque, falíveis os homens, insegura seria a . Em 1657, suas "Cartas", dezoito ao todo, foram relacionadas no Index, da Igreja. São consideradas um dos maiores monumentos da literatura francesa e o atestado de uma grande sinceridade cristã. 
    A respeito, pronunciou-se Pascal: "Roma condenou as minhas Cartas; mas o que nelas condenei está condenado no céu _ apelo para o teu tribunal, Senhor Jesus!" 
    Relata que pediu a Deus 10 anos de saúde para poder escrever sua apologia do Cristianismo, que o mundo viria a conhecer com o nome de "Pensées", contudo, confessa, Deus lhe deu quatro anos de enfermidade
    Nessa Apologia, ele apresenta Cristo não como o "Senhor morto" de tantos cristãos, mas o Cristo vivo, sempre-vivo, aquele Cristo que segue com os homens, todos os dias. 
    Amar era para ele a melhor forma de crer, a "razão do coração que a razão ignora". Deus é, antes de tudo o Sumo Bem, o alvo do amor, e ele afirmava não poder crer senão num Deus que pudesse amar sinceramente. A mensagem para a humanidade de sua época, para os melhores homens do século, foi uma mensagem de vasta, profunda e panorâmica espiritualidade cristã. Uma espiritualidade que brilha em todas as páginas do Evangelho, a espiritualidade do Cristo. 
    Tal espiritualidade transcende das suas mensagens, inseridas pelo Codificador em O Evangelho Segundo o Espiritismo: a primeira, datada de 1860, recebida em Genebra, que alude à verdadeira propriedade e a segunda, do ano 1862, de Sens, da qual destacamos especialmente: "(...) Se os homens se amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a caridade;(...) " e , logo adiante, "(...) esforçai-vos por não atentar nos que vos olham com desdém e deixai a Deus o encargo de fazer toda a justiça, a Deus que todos os dias separa, no seu reino, o joio do trigo." 
    Não menos oportunas as observações em sua mensagem "Sobre os médiuns" (O livro dos médiuns, cap. XXXI, item XIII) de excelente atualidade para os dias que estamos vivendo, onde a mediunidde tem sido levada, muita vez, à conta de exclusiva projeção pessoal e destaque social: "Que, dentre vós, o médium que não se sinta com forças para perseverar no ensino espírita, se abstenha; porquanto, não fazendo proveitosa a luz que ilumina, será menos escusável do que outro qualquer e terá que expiar a sua cegueira." 
    Sua morte se deu a 19 de agosto de 1662, aos 39 anos, sendo que os dois últimos anos de sua vida foram de intenso sofrimento. A enfermidade que o tomou lhe furtou qualquer possibilidade de esforços físicos e intelectuais.
    • H.Rohden/Enciclopédia Mirador Internacional

BILHETE EM RESPOSTA

    Bilhete em Resposta

    O seu trabalho é a revelação de você mesmo.

    Servir é a nossa melhor oportunidade.

    Quando você age em favor de alguém você está induzindo outros a agir em seu benefício.

    Nunca se canse de auxiliar para o bem.

    Desculpe sempre porque todos temos algum dia em que necessitamos de perdão.

    Não alegue defeitos para deixar de servir, porque o trabalho é a bênção de Deus que nos suprime as deficiências.

    Dificuldade é uma tese de paciência.

    Desprezo da parte de alguém é aula da vida para aquisição de humildade.

    Você nem sempre terá o que deseja, mas enquanto estiver ajudando aos outros encontrará os recursos de que precise.

    Depois de grande esforço para solucionar esse ou aquele problema, não se agaste se outro problema aparece, requisitando-lhe novo esforço porque Deus renovará suas forças para recomeçar.
    ANDRÉ LUIZ

CARIDADE

Faze da caridade a redentora chama
Cuja auréola solar, renovadora e pura,
Seja paz e consolo à sombra e à desventura
Do espinheiral da dor em que o fel se derrama...

Surja embora a aflição, ajuda, espera e ama!
Não te firam na Terra a maldade e a secura...
Segue plantando o bem, na noite imensa e escura
Em que a ilusão tateia, imersa em treva e lama.

Vergastado, sorri! Humilhado, abençoa!...
E nas lutas cruéis com que o mal te aguilhoa
Sustenta na renúncia a força de vencê-las.

E um dia, a caridade em que, humilde, te abrasas,
Tecer-te-á, cantando, a luz de níveas asas
Para a glória imortal, no fulgor das estrelas.
Pelo Espírito Amaral Ornellas - Do livro: Através do Tempo, Médium: Francisco Cândido Xavier

domingo, 10 de maio de 2015

Mãe Querida

    Mãe Querida

    Torno a ver, nos meus dias de criança,
    O teu regaço, a lamparina acesa,
    O pequeno lençol que trago na lembrança,
    A oração da manhã e o pão à mesa...

    Varro o chão, a fitar-te as mãos escravas,
    Afagando o fogão, de momento a momento...
    A roupa e o batedouro em que cantavas
    Para esquecer o próprio sofrimento...

    Depois, era o tinir da caçarola,
    Aumentando a despesa no armazém...
    Vestias-me de renda para a escola
    E nunca me lembrei de ofertar-te um vintém.

    Cresci... A mocidade me requesta,
    Ante a cidade de qualquer maneira...
    Parti... - eu era a rosa para a festa,
    Ficaste... - eras a rústica roseira.

    De tudo vi na estrada grande e nova,
    As flores do prazer, o brilho, a fama.
    malícia dourada e os suplícios da prova
    Marcando a pranto e fel os passos de quem ama...

    Hoje, volto a buscar-te, mãe querida,
    Dá-me de tua paz sem ilusão,
    Guarda-me em ti, amor de minha vida,
    Alma querida de meu coração.
    Maria Dolores

Mãe

    Mãe

    Um dia, a Mulher solitária e atormentada chegou ao Céu e, rojando-se, em lágrimas, diante do Eterno Pai, suplicou:
    - Senhor, estou só! Compadece-te de mim. Meu companheiro fatigado, cada dia, pede-me repouso e devo velar-lhe o sono! quando triunfa no trabalho, absorve-se na atividade mais intensa e, muita vez distraído, afasta-se do lar, aonde volta somente quando exausto, a fim de refazer-se. Se sofre, vem a mim, abatido, buscando restauração e conforto... Tu que deste flores ao arvoredo e que abriste as carícias da fonte, no seio escuro e ressequido do solo, consagras-me, assim, ao insulamento? Reservaste a Terra inteira ao serviço do homem que se agita, livre e dominador, sobre montes e vales, e concedes a mim apenas o estreito recinto da casa, entre quatro paredes, para meditar e afligir-me sem consolo? Se sou a companheira do homem, que se vale de mim para lutar e viver, quem me acompanhará na missão a que me destinas?
    O Senhor sorriu, complacente, em seu trono de estrelas fulgurantes e, afagando-lhe a cabeça curvada e trêmula, falou compadecido:
    - Dei o mundo ao homem, mas confiarei a vida ao teu coração.
    Em seguida colocou-lhe nos braços uma frágil criança.
    Desde então, a Mulher fez-se Mãe e passou a viver plenamente feliz.
    Meimei

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...