sábado, 6 de abril de 2019

A Linha de chegada

Entre setembro de 1968 e janeiro de 1969, um desenho criado pela Hanna-Barbera foi transmitido originalmente pelo canal CBS, nos Estados Unidos.
Também teve sua transmissão no Brasil, em mais de um canal televisivo. Chamava-se Corrida maluca.
Eram onze veículos estranhos com ocupantes ainda mais estranhos que iam de um dragão que cuspia fogo a um urso chorão, de uma quadrilha de morte aos irmãos Rocha, Pedra e Cascalho.
A competição era pelo título mundial de corredor mais louco do mundo, em um rally pela América do Norte.
A inspiração para a criação da animação veio de um filme chamado A corrida do século, de 1965.
Nele havia uma personagem chamada Maggie Dubois, que foi transformada na Penélope Charmosa, e um professor chamado Fate, que deu origem ao vilão Dick Vigarista.
Esse vilão, a cada corrida, tinha uma preocupação principal: criar obstáculos para que os concorrentes não cruzassem a linha de chegada.
Assim, esmerava-se em montar armadilhas, ao longo do trajeto. Com um detalhe, o seu ajudante, Mutley, costumava fazer sempre alguma coisa errada, na hora de colocar o plano em prática.
Como resultado, a cada episódio, Dick Vigarista acabava provando de seu próprio mal.
Apesar de ser uma competição, não foi feito um episódio final contando quem foi o grande vencedor.
No entanto, algo ficou bem evidenciado em cada um dos circuitos que foram ao ar: Dick Vigarista nunca ganhou uma corrida.
Era tanta armação e tantos problemas que ele tentava criar para os outros, que nunca conseguiu cruzar a linha de chegada, em primeiro lugar.
A animação teve uma única temporada, de dezessete capítulos, divididos em trinta e quatro segmentos. Foi retirada do ar, porque os pais, à época, estavam preocupados com a violência apresentada para as mentes infantis.
*   *   *
Como de tudo na vida nos compete retirar as lições para nós próprios, não poderia ser de outra forma, ao enfocarmos a corrida maluca.
Quantos de nós seremos como Dick Vigarista, preocupados em criar obstáculos aos outros para que não alcancem os objetivos traçados, sejam eles um concurso, uma competição?
Não nos surpreendemos, por vezes, em jogos que deveriam ser somente para nos distrair, em horas de lazer, elaborando formas desonestas de impedir a vitória do outro?
Quantos de nós estaremos mais preocupados com o que fazem os demais, esquecendo de atentar para o que nos compete realizar, alcançar?
Quantos invejamos o carro novo do vizinho, a festa espetacular do conhecido, a casa do colega transformada em mansão, depois de uma reforma?
Quantos nos detemos a comentar o que faz ou deixa de fazer o nosso semelhante, sem nos darmos conta do tempo precioso que estamos perdendo?
Tempo que melhor seria empregado no esforço de observação de nós mesmos, das nossas necessidades, do que devemos empreender para alcançarmos nossos objetivos.
Afinal, o que nos deve importar não é impedir que outros tenham êxito, mas nos esforçarmos para cruzar a linha de chegada.
O importante, dessa forma, é nos preocuparmos conosco mesmos, com nosso desempenho, no intuito de alcançar aquilo a que nos propomos.
Pensemos a respeito.
Redação do Momento Espírita.
Em 6.4.2019.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Artífice do progresso

A vida na Terra não é perfeita.
Oscilações da economia, com frequência, jogam por terra planos longamente acalentados.
O passar do tempo pouco a pouco dilapida o vigor físico.
Amigos e familiares desencarnam.
Por sua natureza material, a Terra é um local de transição.
Nela há certas vicissitudes inevitáveis, como a dor, a doença e a morte do corpo físico.
Esses fenômenos são comuns e, até certo ponto, aceitos com naturalidade.
O que possui o condão de tornar o viver terreno realmente áspero são as fissuras morais dos homens.
Fôssemos todos leais e bondosos e a vida na Terra seria um paraíso.
Mas por ora não é assim.
O egoísmo persiste forte nos corações humanos.
É ele que faz com que busquemos nossos interesses imediatos, despreocupados das tragédias e dores que causamos aos outros.
Com base nessa realidade, muitos acreditamos que a raça humana não tem jeito.
Achamos que tudo está mesmo perdido e procuramos nos envolver o mínimo possível no que ocorre a nossa volta.
Deixamos de votar, de nos indignar e de cobrar uma postura ética no comportamento político e social.
Esse gênero de comportamento não é novo.
No âmbito religioso, por séculos houve a tendência de candidatos à santificação retirarem-se do mundo.
Gastavam o tempo em cerimônias e preces, esquecidos das dificuldades dos que permaneciam envoltos nos afazeres mundanos.
A frase do Cristo, na qual Ele diz que Seu reino não é deste mundo, costuma ser invocada como sustentáculo desse proceder.
Entretanto, Jesus jamais demonstrou desprezo pelo mundo e por suas criaturas.
Enquanto aqui esteve, Ele se dedicou a educar e a curar os enfermos do corpo e da alma.
Em dada oportunidade, afirmou que Seus seguidores deveriam ser o sal da terra e a luz do mundo.
Esse enunciado certamente significa que o cristão precisa fazer a diferença.
Que Ele deve agir para que o mundo se converta em um local mais justo e fraterno.
Assim, não utilize os quadros chocantes da Terra como desculpa para cruzar os braços.
Pense que você tem um papel a cumprir no contexto em que está inserido.
Mire-se nos exemplos do Cristo e viva com muita correção.
Trabalhe, sirva, seja leal, indulgente e compreensivo.
Mas não enterre e nem esconda os seus talentos.
Saia de seu círculo mais restrito de relações e aja para que o mundo se torne um lugar melhor.
Desenvolva ideais de elevação e pureza e os partilhe com o próximo.
Indigne-se com os desmandos da política e cobre reformas.
Sinta-se responsável pelo local em que vive.
Lentamente tudo se transforma e aprimora.
As leis humanas estão em constante aperfeiçoamento.
Certas práticas iníquas do passado, como o duelo e a escravidão, hoje não são mais admitidas.
Muitos de nós lutamos para que cada melhora ocorresse.
Reflita sobre isso e torne-se um artífice do progresso.
Você experimentará algumas dores e decepções ao se envolver em questões sociais.
Mas saberá que cumpriu a parte que lhe toca na construção de um mundo melhor.
No ocaso de sua vida terrena, quando tudo o mais se extinguir, a paz pelo dever bem cumprido persistirá em seu coração.
Pense nisso.
Redação do Momento Espírita.
Em 2.4.2019.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Corrigendas

CORRIGENDAS


“Porque o Senhor corrige ao que ama e açoita a qualquer que recebe por filho.” - Paulo. (Hebreus, 12:6.)

Quando os discípulos do Evangelho começam a entender o valor da corrigenda, eleva-se-lhes a mente a planos mais altos da vida.

Naturalmente que o Pai ama a todos os filhos, no entanto, os que procuram compreendê-lo perceberão, de mais perto, o amor divino.

Máxima identificação com o Senhor representa máxima capacidade sentimental.

Chegado a essa posição, penetra o espírito em outras zonas de serviço e aprendizado.

A princípio, doem-lhe as corrigendas, atormentam-no os açoites da experiência, entretanto, se sabe vencer nas primeiras provas, entra no conhecimento das próprias necessidades e aceita a luta por alimento espiritual e o testemunho de serviço diário por indispensável expressão da melhoria de si mesmo.

A vida está repleta de lições nesse particular.

O mineral dorme.

A árvore sonha.

O irracional atende ao impulso.

O homem selvagem obedece ao instinto.

A infância brinca.

A juventude idealiza.

O espírito consciente esforça-se e luta.

O homem renovado e convertido a Jesus, porém, é o filho do céu, colocado entre as zonas inferiores e superiores do caminho evolutivo. Nele, o trabalho de iluminação e aperfeiçoamento é incessante; deve, portanto, ser o primeiro a receber as corrigendas do Senhor e os açoites da retificação paterna.

Se te encontras, pois, mais perto do Pai, aprende a compreender o amor da educação divina.



Pelo Espírito Emmanuel - Do livro: Vinha de Luz, Médium: Francisco Cândido Xavier

A Felicidade Não É Deste Mundo

III – A Felicidade Não É Deste Mundo

FRANÇOIS-NICOLAS-MADELAINE
Cardeal Morlot, Paris, 1863
 
            20
– Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Exclama geralmente o homem, em toda as posições sociais. Isto prova, meus caros filhos, melhor que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Com efeito, nem a fortuna, nem o poder, nem mesmo a juventude em flor, são condições essenciais da felicidade. Digo mais: nem mesmo a reunião dessas três condições, tão cobiçadas, pois que ouvimos constantemente, no seio das classes privilegiadas, pessoas de todas as idades lamentarem amargamente a sua condição de existência.
            Diante disso, é inconcebível que as classes trabalhadoras invejem com tanta cobiça a posição dos favorecidos da fortuna. Neste mundo, seja quem for, cada qual tem a sua parte de trabalho e de miséria, seu quinhão de sofrimento e desengano. Pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações.
            Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem, e que somente nela, e numa única existência, lhe é permitido alcançar o mais elevado grau de felicidade que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam aqueles que os ouvem. Basta lembrar que está demonstrado, por uma experiência multissecular, que este globo só excepcionalmente reúne as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo.
            Num sentido geral, pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia, a cuja perseguição se lançam as gerações, sucessivamente, sem jamais a alcançarem. Porque, se o homem sábio é uma raridade neste mundo, o homem realmente feliz não se encontra com maior facilidade.
            Aquilo em que consiste a felicidade terrena é de tal maneira efêmera para quem não se guiar pela sabedoria, que por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto da existência se passa numa sequência de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos que estou falando dos felizes da Terra, desses que são invejados pelas massas populares.
            Consequentemente, se a morada terrena se destina a provas e expiações, é forçoso admitir que existem, além, moradas mais favorecidas, em que o Espírito do homem, ainda prisioneiro de um corpo material, desfruta em sua plenitude as alegrias inerentes à vida humana. Foi por isso que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão um dia gravitar, quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados.
            Não obstante, não se deduza das minhas palavras que a Terra esteja sempre destinada a servir de penitenciária. Não, por certo! Porque, do progresso realizado podeis facilmente deduzir o que será o progresso futuro, e das melhoras sociais já conquistadas, as novas e mais fecundas melhoras que virão. Essa é a tarefa imensa que deve ser realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.
            Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime, e que cada um dentre vós se despoje energicamente do homem velho. Entregai vos inteiramente à vulgarização desse Espiritismo, que já deu início à vossa própria regeneração. É um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios dessa luz sagrada. À obra, portanto, meus caros filhos! Que nesta reunião solene, todos os vossos corações se voltem para esse alvo grandioso, de preparar para as futuras gerações um mundo em que felicidade não seja mais uma palavra vã.
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Por ALLAN KARDEC

Gratidão ao Senhor da Vida

Quando ouvimos falar em gratidão, uma forte lembrança, misto de saudade, nos acode ao pensamento.
Recordamos de uma criança que conhecemos. Desde pequenina, padecia de um problema físico, que muito a fazia sofrer.
No entanto, acordava pela manhã, com esforço sentava-se na cama, juntava as mãozinhas e falava:
Senhor Jesus, obrigada por eu ter acordado em mais este dia e poder ver o sol.
Ao receber as refeições, os medicamentos, os cuidados, expressava seu agradecimento com palavras positivas.
E à noite, ao ser preparada para dormir, novamente conversava com Jesus.
Aí, ela formulava um pedido especial. Queria que enquanto seu corpo estivesse adormecido, ela pudesse correr na areia da praia e sentir o abençoado ar marinho.
Certa vez, lhe perguntamos se ela ia mesmo à praia enquanto dormia.
Sorrindo ela respondeu:
Claro que sim, são os momentos mais lindos da minha vida!
Quando meu corpo doente dorme, eu posso ir aonde quero.
Ela nos emocionou com sua forma de entender a sua problemática e, ao mesmo tempo, ter discernimento para gozar, de forma plena, sua liberdade como Espírito.
*   *   *
Compete-nos ter muita gratidão pela vida que Deus nos deu, pela família, pelo lar, pelo pão, pelo ar...
Sermos gratos pelos pais que nos permitiram nascer e nos cuidaram, que nos deram a oportunidade de estudar, trabalhar.
Agradecer por nos levantarmos toda manhã e nos dedicarmos às atividades que a vida nos oferece; por podermos preencher, durante o dia, mais uma página do livro da nossa vida; por termos no coração os ensinamentos do Mestre Jesus, Modelo, Guia e Amigo de todas as horas, que nos direciona positivamente em nossa jornada.
Agradecer por contarmos com um guardião espiritual, que nos acompanha constantemente na função de protetor, nos inspirando, aconselhando, levantando o ânimo.
E, com um detalhe importante: sempre respeitando nossa liberdade de escolha.
Agradecer por termos uma família com quem podemos contar nas horas árduas, nas angústias, nas incertezas.
Mesmo quando difícil de conviver, ela constitui o remédio necessário para curar nossos males internos.
Gratidão por termos amigos sinceros que vibram conosco nas horas felizes e nos amparam nas horas de necessidades.
Verdadeiros tesouros a quem nem sempre valorizamos devidamente.
Gratidão aos professores que nos transmitiram ensinamentos que ressoarão em nossas almas para sempre.
Seres dos quais só lembramos de agradecer depois de seguirmos rumos distantes.
Gratidão pela fé que nos sustenta, nos preparando para a continuidade da caminhada, depois desta realidade.
Essa fé que nos demonstra que a Terra é um grande educandário onde aprendemos a valorizar tanta riqueza que recebemos, até mesmo as enfermidades e limitações que nos machucam.
Gratidão pelo fiel exemplo de almas em resgate, muitas vezes, presos a uma cama, quase imóveis.
Mas que podem, durante o sono físico, gozar das liberdades conferidas ao Espírito sempre livre.
Redação do Momento Espírita.
Em 30.3.2019

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...