sábado, 8 de dezembro de 2018

A Fé e a Caridade

III – A Fé e a Caridade

UM ESPÍRITO PROTETOR
                                                                     Cracóvia, 1861

            13 – Eu vos disse recentemente, meus queridos filhos, que a caridade sem a fé não seria suficiente para manter entre os homens uma ordem social de fazê-los felizes. Devia ter dito que a caridade é impossível sem a fé. Podereis encontrar, é verdade, impulsos generosos entre as pessoas sem religião. Mas essa caridade austera, que só pode ser exercida pela abnegação, pelo sacrifício constante de todo o interesse egoísta, nada a não ser a fé poderá inspirá-la, porque nada além dela nos faz carregar com coragem e perseverança a cruz desta vida.
            Sim, meus filhos, é inútil querer o homem, ávido de prazeres, iludir-se quanto ao seu destino terreno, pretendendo que lhe seja permitido ocupar-se apenas da sua felicidade. Certo que Deus nos criou para sermos felizes na eternidade, mas a vida terrena deve servir unicamente para o nosso aperfeiçoamento moral, o qual se conquista mais facilmente com a ajuda do corpo e do mundo material. Sem contar as vicissitudes comuns da vida, a diversidade de vossos gostos, de vossas tendências, de vossas necessidades, são também um meio de vos aperfeiçoardes, exercitando-vos na caridade. Porque somente a custa de concessões e de sacrifícios mútuos, é que podeis manter a harmonia entre elementos tão diversos.
            Tendes razão, entretanto, ao afirmar que a felicidade está reservada ao homem neste mundo, se a procurardes antes na prática do bem do que nos prazeres materiais. A história da cristandade nos fala dos mártires que caminhavam com alegria para o suplício. Hoje, na vossa sociedade, para ser cristão já não se precisa enfrentar a fogueira do mártir, nem o sacrifício da vida, mas única e simplesmente o sacrifício do egoísmo, do orgulho e da vaidade. Triunfareis, se a caridade vos inspirar e fordes sustentados pela fé.

O Evangelho Segundo o Espiritismo
Por Allan Kardec

Lei Divina – lei de Justiça

Na cidade de Beatrice, no Estado americano de Nebraska, os quinze membros do coral da igreja haviam combinado um ensaio geral.
Era o dia primeiro de março de 1950 e o horário ajustado foi às dezenove horas e vinte minutos.
Como quase sempre ocorre, quando se marcam eventos, ensaios, que envolvam várias pessoas, uma ou outra se atrasa alguns minutos.
Dessa forma, era fácil prever que, naquela noite, algum membro do grupo chegasse mais tarde.
Afinal, eram quinze pessoas com diferentes afazeres. O extraordinário, no entanto, foi que às dezenove horas e vinte e cinco minutos nenhum deles estava no local.
Duas senhoras, independentemente uma da outra, não conseguiram dar partida nos seus respectivos carros. Cada qual foi solicitar ajuda de alguma forma, mas o fato é que isso as impediu de chegar, na hora marcada.
Uma das meninas ficou retida, em casa, até um pouco mais tarde, porque precisara concluir a sua tarefa escolar.
Duas outras, embevecidas com o capítulo da novela, perderam a hora. Outra, dormira tão profundamente, que a mãe tivera que chamá-la repetidas vezes para que despertasse.
O próprio dirigente do coro se atrasou porque ficou esperando que sua mulher acabasse de passar o vestido da filha mais velha, também membro do coral.
Ninguém compareceu no horário, por motivos triviais, quase tolos. E se poderia pensar em simples coincidências.
O que é de nos indagarmos é qual a possibilidade matemática de quinze pessoas de um mesmo grupo se atrasarem, ao mesmo tempo.
O cálculo é complexo e o fato poderia não ter importância alguma.
Isso se não tivesse acontecido o que aconteceu: às dezenove horas e vinte e cinco minutos daquela noite, ou seja, cinco minutos depois da hora que o ensaio deveria ter começado, uma explosão destruiu completamente a igreja da cidade.
Ninguém estava lá e os danos foram somente materiais.
*   *   *
Existe um Deus, que a tudo governa, tudo vê, tudo provê. Suas leis são justas e ninguém sofre o que não lhe é devido.
Isso assinala uma Lei que se chama de ação e reação, que nos diz que para tudo que nos sucede, existe um motivo. Se não é desta vida, trata-se de algo de existências passadas.
Por isso, algo nos detém o passo e nos atrasamos alguns segundos ou minutos. Isso nos evita o envolvimento em algum acidente de trânsito à frente.
Por isso, alguém nos chama, quando nos encontramos à porta e exige que façamos algo, antes da nossa saída.
Esse atraso nos fará perder o ônibus, o avião... que poderá sofrer um acidente, no seu trajeto.
A Lei Divina é precisa. E se acreditamos que há muita injustiça na Terra, o que podemos ter certeza é de que não há injustiçados.
Tudo tem uma razão de ser, de acontecer, cabendo-nos recordar a sábia exortação de Jesus: A cada um será dado segundo as suas obras.
Seria necessário transcorrer os séculos para aprendermos a respeito da multiplicidade das vidas, a fim de compreendermos o exato sentido desse ensino de Jesus.
Ensino que nos leva a entender porque algo ocorre conosco e não com nosso vizinho, nosso amigo, nosso parente.
Ou, ao contrário, acontece com nosso conhecido e não nos alcança.
Lei Divina. Lei de Justiça.
Pensemos a respeito.
Redação do Momento Espírita, com base no
cap. 3, do livro
Estudos e crônicas, de
Hermínio C. Miranda, ed. FEB.
Em 7.12.2018.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Somente Você

Somente Você

Ninguém poderá carregar o fardo de suas dores.

Eduque-se com o sofrimento.

Ninguém entenderá os problemas

complexos de sua existência.

Exercite o silêncio.

Ninguém seguirá com você indefinidamente.

Acostume-se com a solidão.

Ninguém acreditará que suas aflições

sejam maiores do que as do vizinho.

Liberte-se delas com o trabalho de auto-iluminação.

Ninguém lhe atenderá todas as necessidades.

Subordine-se apenas ao que você tem.

Ninguém responderá por seus erros.

Tenha cuidado no proceder.

Ninguém suportará suas exigências.

Faça-se brando e simples.

Ninguém o libertará do arrependimento após o crime.

Medite na paciência e domine os impulsos.

Ninguém compreenderá seus sacrifícios

e renúncias para a manutenção de uma

vida modesta e honrada.

Persevere no dever bem cumprido.


Sábio é todo aquele que reconhece a

infinita pequenez ante a infinita

grandeza da vida. Embora ninguém possa

servi-lo sempre, você encontrará um

sublime Alguém, que tem para cada

anseio de sua alma uma alternativa de amor.

Por você, Ele carregou o fardo do mundo...

Compreendeu os conflitos da vida...

Caminhou com todos...

Socorreu todos que O buscaram...

Matou a fome, saciou a sede e ouviu as

multidões inquietas...

Atendeu à viúva de Naim, ao apelo

materno em Caná...

Carregou a cruz da injustiça sem

nenhuma reclamação...

Perdoou a traição de Judas, desculpou

as negativas de Pedro e a ambos

libertou do remorso com a concessão do

trabalho em novos avatares...

Compreendeu as lutas da mulher

atormentada, sedenta de paz;

esclareceu o enfático doutor do

Sinédrio, sedento de saber; arrancou

das trevas o cego Bartimeu, sedento de

claridade...

Ensinou que diante do amor todos os

enigmas do Universo se aclaram, por

ser o Pai Celeste a Suprema Fonte do Amor.

Não se imponha, pois, a ninguém.

Embora você dependa de todos, nada

aguarde dos outros.

Receba e agradeça o que lhe chegue e

como chegue, ajude e passe...

Aprenda que a luta é a lição de cada

hora no abençoado livro da existência

planetária, e siga adiante com Ele,

que "jamais se escusava".


Autor: Marco Prisco
Psicografia de Divaldo Franco
                     

Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores...

Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores
Quando pronunciamos as palavras “perdoa as nossas dividas, assim como perdoamos aos nossos devedores”, não apenas estamos à espera do benefício para o nosso coração e para a nossa consciência, mas estamos igualmente assumindo o compromisso de desculpar os que nos ofendem.

Todos possuímos a tendência de observar com evasivas os grandes defeitos que existem em nós, reprovando, entretanto, sem exame, pequeninas faltas alheias.


Por isso mesmo Jesus, em nos ensinando a orar, recomendou-nos esquecer qualquer mágoa que alguém nos tenha causado.

Se não oferecermos repouso à mente do próximo, como poderemos aguardar o descanso para os nossos, pensamentos?

Será justo conservar todo o pão, em nossa casa, deixando a fome aniquilar a residência do vizinho?

A paz é também alimento da alma, e, se desejamos tranqüilidade para nós, não nos esqueçamos do entendimento e da harmonia que devemos aos demais.

Quando pedirmos a tolerância do Pai Celeste em nosso favor, lembremo-nos também de ajudar aos outros com a nossa tolerância.

Auxiliemos sempre.

Se o Senhor pode suportar-nos e perdoar-nos, concedendo-nos constantemente novas e abençoadas oportunidades de retificação, aprendamos, igualmente, a espalhar a compreensão e o amor, em benefício dos que nos cercam.

Autor: Meimei
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro: Pai Nosso
                     

Ser Mãe

Ser mãe…

Eis o trabalho mais difícil da face da Terra.

Ser mãe é seguir o turno de 24 horas, 7 dias por semana.

É estar acordada quando o resto do mundo dorme. É amamentar na madrugada e ver as luzes das janelas se apagando, até que só reste a sua.

Ser mãe é cheirar a leite por vários meses (e detestar!). E morrer de saudades de dar o peito, quando o filho desmamar.

Ser mãe é aprender a trocar fralda no escuro. Com direito a passar creme antiassaduras, claro!

Ser mãe é preparar a primeira papinha com o maior cuidado do mundo, e levar um cuspe de volta.

Ser mãe é comer comida fria, é ser a última a se servir. Ou mesmo deixar de comer, para dar sua parte ao filho que necessite.

Ser mãe é querer que o filho se arraste, engatinhe e finalmente consiga andar. E quando ele aprende a correr, sentir saudades do bebezinho que ficava o dia todo em seu colo.

Ser mãe é nunca mais olhar para um termômetro que marca 37 graus do mesmo jeito. É passar a noite segurando a mão do pequeno, para se assegurar de que a febre passou.

Ser mãe é morrer de vontade de chorar ao ver o filho doente. E segurar a onda e sorrir, para não preocupá-lo.

Ser mãe é acordar cansada, depois de uma noite mal dormida. E apesar disso fazer tudo do mesmo jeito: dar banho, comida, brincar, trabalhar, cuidar da casa, e colocar o filho para dormir.

Ser mãe é se perguntar quando passará novamente um dia sem ouvir choro (minha filha tem três anos, e ainda não cheguei lá!).

Ser mãe é querer viajar sozinha, mas abrir mão disso até ter certeza de que seu filho ficará bem sem ela. E quando esse dia chegar, contar os dias para receber o abraço da volta.

Ser mãe é exercitar a paciência diariamente. E perdê-la de vez em quando, entre uma crise de birra e outra.

Ser mãe é ouvir do filho as mesmas palavras que lhe ensinou. E perceber que não basta falar, é preciso dar exemplo.

Ser mãe é sentir culpa por querer voltar ao trabalho. Ou largar tudo para cuidar de um filho, e sentir falta de trabalhar fora.

Ser mãe é aprender que, com duas mãos, é possível executar muito mais do que duas tarefas. Atender ao telefone, empurrar o carrinho, abrir a porta, escrever um bilhete, e dar a última colherada do prato são só alguns exemplos das combinações possíveis.

Ah, mas ser mãe também é…

Sentir aquela mãozinha tão pequena e tão forte, que segura seu dedo como que querendo dizer: “ei, estou aqui, agora você não está sozinha!”.

É poder afagar por alguns anos os cabelos de um pequeno anjo, enquanto ele está sob suas asas.

É acordar pela manhã com um abraço apertado, como se não se vissem há muitos anos! O mesmo vale para a saída da escola.

Ser mãe é mostrar uma flor ao filho, e reparar em sua beleza, como há tempos não fazia.

Ser mãe é se emocionar na primeira vez em que vê o filho repartindo o biscoito.

Ser mãe é ter direito de chorar na apresentação da escola, do ballet, no campeonato de natação, sem que ninguém a estranhe por isso.

Ser mãe é ter a casa cheia de risadas e de gritinhos de felicidade. É lembrar como se brinca de carrinho, de boneca, de esconde-esconde, de pega-pega.

Ser mãe é adquirir a coragem de fazer o que seu coração realmente deseja. Porque não há mais espaço para covardias dentro de si.

Ser mãe é tentar ser uma pessoa melhor a cada dia. Porque seu filho merece uma mãe que se aprimora com o tempo.

Ser mãe é descobrir que o coração é um espaço infinito. E que quanto mais se ama, mais amor cabe ali dentro.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Prece de Cáritas

Deus nosso Pai, que sois todo poder e bondade,
dai força àqueles que passam pela provação;
dai luz àquele que procura a verdade;
ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus, dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.

Senhor, que a Vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.

Piedade, meu Senhor, para aqueles que Vos não conhece;
esperança para aquele que sofrem.

Que a Vossa bondade permita aos Espíritos Consoladores derramarem por toda parte a paz, e esperança e a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra,

deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita;
e todas as lágrimas secarão. Todas as dores acalmar-se-ão;

Um só coração, um só pensamento subirá até Vós como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos de braços abertos,

oh! Poder, oh! Bondade, oh! Beleza, oh! Perfeição, e queremos de algum modo alcançar a Vossa misericórdia.

Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós,
dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão.

Dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se deve
refletir a Vossa imagem.

Cáritas (Oração recebida na noite de Natal, 25/12/1873, pela médium Madame W.Krell,
num circulo espírita denominado "Grupo Comera" de Bordeaux, França)

Crueldade Humana

O famoso escritor francês Voltaire disse, certa vez, que são necessários vinte anos para levar o homem do estado de planta em que se encontra no ventre de sua mãe e do estado de puro animal, que é a condição de sua primeira infância, até o estado em que começa a se manifestar com a maturidade da razão.
Disse ainda que foram necessários trinta séculos para conhecer um pouco a sua estrutura e que seria necessária a própria eternidade, para conhecer algo de sua alma. No entanto, não é preciso senão um instante para matá-lo.
Naturalmente, Voltaire se referia à morte do corpo.
Sempre com maior intensidade se tem notado o desprezo à preciosa vida humana.
Todos os dias nos chegam as notícias de guerras, de massacres, de barbáries.
Em nome do poder, da posse de riquezas, que se pode usufruir somente nesse curto período de tempo em que nos encontramos sobre o planeta, as pessoas matam umas às outras.
No século XIX, quando o Codificador da Doutrina Espírita trabalhava para a produção da obra O livro dos Espíritos, indagou às vozes celestes o porquê da crueldade ser o caráter dominante de alguns povos.
A resposta dos luminares foi que entre os povos primitivos a matéria sobrepuja o Espírito.
Eles se entregam aos instintos animais e como não têm outras necessidades além das corpóreas cuidam apenas da sua conservação pessoal.
É isso que geralmente os torna cruéis. Além disso, os povos de desenvolvimento imperfeito estão sob a influência de Espíritos igualmente imperfeitos que lhes são simpáticos.
Consequentemente, agem sob o comando deles.
Tomando ciência disso, nos analisamos e concluímos que muitos nos enquadramos nessas descrições. Ainda temos ditadores no mundo, que subjugam o povo e o maltratam, exigindo dele uma quase adoração.
E mostram sua crueldade para todos aqueles que não os homenageiam quando passam pelas ruas, ou ousam dizer uma mínima palavra contra o que fazem ou o que pregam.
Mesmo em civilizações mais adiantadas, existem criaturas tão cruéis como os selvagens, da mesma maneira que numa árvore carregada de bons frutos existem os temporões. São lobos extraviados em meio a cordeiros.
Como a lei é de progresso, guardamos a certeza de que a Humanidade progride. Essas criaturas, dominadas pelo instinto do mal, que se encontram entre os homens de bem, desaparecerão pouco a pouco como o mau grão é separado do bom quando joeirado.
Necessitarão retornar e retornar, em novos corpos, para o exercício do aperfeiçoamento, para que adquiram qualidades novas.
A todos nós, educadores, pais e professores cabe o dever inadiável de estimular os sentimentos nobres nas gerações, através de exemplos dignificantes, onde a vida seja considerada bem precioso demais para ser desprezado ou destruído, em nome de qualquer bandeira política, religiosa ou de caráter particular.
*   *   *
Todas as faculdades existem no homem em estado latente.
Elas se desenvolvem de acordo com as circunstâncias mais ou menos favoráveis.
Assim, o senso moral existe no selvagem, no que hoje se apresenta como mau e cruel, como o princípio do aroma no botão de uma flor que ainda não se abriu.
Trabalhemos para que ele desabroche o quanto antes, em nós, em cada ser humano.

Redação do Momento Espírita, com base nas
pergs. 752 a 756 de
O livro dos Espíritos, de Allan Kardec,
ed.  FEB e em pensamentos de Voltaire, colhidos no livro
Um presente especial, de Roger Patrón Luján, ed. Aquariana.
Em 3.12.2018

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...