domingo, 22 de julho de 2018

Caridade Com Os Criminosos

IV – Caridade Com Os Criminosos

                                                                       ELIZABETH DE FRANÇA
                                                                       Havre, 1862
                                                          
            14 – A verdadeira caridade é um dos mais sublimes ensinamentos de Deus para o mundo. Entre os verdadeiros discípulos da sua doutrina deve reinar perfeita fraternidade. Devem amar os infelizes, os criminosos, como criaturas de Deus, para as quais, desde que se arrependam, serão concedidos o perdão e a misericórdia, como para vós mesmos, pelas faltas que cometeis contra a sua lei. Pensai que sois mais repreensíveis, mais culpados que aqueles aos quais recusais o perdão e a comiseração, porque eles quase sempre não conhecem a Deus, como o conheceis, e lhes será pedido menos do que a vós.
            Não julgueis, oh! Não julgueis, meus queridos amigos, porque o juízo com que julgardes vos será aplicado ainda mais severamente, e tendes necessidade de indulgência para os pecados que cometeis sem cessar. Não sabeis que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza, mas que o mundo não considera sequer como faltas leves?
            A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem mesmo nas palavras de consolação com que as acompanhais. Não , não é isso apenas que Deus exige de vós! A caridade sublime, ensinada por Jesus, consiste também na benevolência constante, e em todas as coisas, para com o vosso próximo. Podeis também praticar esta sublime virtude para muitas criaturas que não necessitam de esmolas, e que palavras de amor, de consolação e de encorajamento conduzirão ao Senhor.
Aproximam-se os tempos, ainda uma vez vos digo, em que a grande fraternidade reinará sobre o globo. Será a lei de Cristo a que regerá os homens: somente ela será freio e esperança, e conduzirá as almas às moradas dos bem-aventurados. Amai-vos, pois, como os filhos de um mesmo pai; não façais diferenças entre vós e os infelizes, porque Deus deseja que todos sejam iguais; não desprezeis a ninguém. Deus permite que os grandes criminosos estejam entre vós, para vos servirem de ensinamento. Brevemente, quando os homens forem levados à prática das verdadeiras leis de Deus, esses ensinamentos não serão mais necessários, e todos os Espíritos impuros serão dispersados pelos mundos inferiores, de acordo com as suas tendências.
            Deveis a esses de que vos falo o socorro de vossas preces: eis  a verdadeira caridade. Não deveis dizer de um criminoso: “É um miserável; deve ser extirpado da Terra; a morte que se lhe inflige é muito branda para uma criatura dessa espécie”. Não, não é assim que deveis falar! Pensai no vosso modelo, que é Jesus. Que diria ele, se visse esse infeliz ao seu lado? Havia de lastimá-lo, considerá-lo como um doente muito necessitado, e lhe estenderia a mão. Não podeis, na verdade, fazer o mesmo, mas pelo menos podeis orar por ele, dar-lhe assistência espiritual durante os instantes que ainda deve permanecer na Terra. O arrependimento pode tocar-lhe o coração, se orardes com fé. É vosso próximo, como o melhor dentre os homens. Sua alma, transviada e revoltada, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar. Ajudai-o, pois, a sair do lamaçal, e orai por ele.

                                                                              ***
            LAMENNAIS
             Paris, 1862

15 – Um homem está em perigo de morte. Para salvá-lo, deve expor a própria vida. Mas sabe-se que é um malvado, e que, se escapar poderá cometer novos crimes. Deve-se, apesar disso, arriscar-se para o salvar?

         Esta é uma questão bastante grave, e que pode naturalmente apresentar-se ao espírito. Responderei segundo o meu adiantamento moral, desde que se trata de saber se devemos expor a vida, mesmo por um malfeitor. A abnegação é cega. Socorre-se a um inimigo; deve-se socorrer também a um inimigo da sociedade, numa palavra, a um malfeitor. Credes que é somente à morte que se vai arrebatar esse desgraçado? É talvez a toda a sua vida passada. Porque, pensai nisso, – nesses rápidos instantes que lhe arrebatam os últimos momentos da vida, o homem perdido se volta para a sua vida passada, ou melhor, ela se ergue diante dele. A morte, talvez, chegue muito cedo para ele. A reencarnação poderá ser terrível. Lançai-vos, pois, homens! Vós, que a ciência espírita esclareceu, lançai-vos, arrancai-o ao perigo! E então, esse homem, que teria morrido injuriando-vos, talvez se atire nos vossos braços. Entretanto, não deveis perguntar se ele o fará ou não, mas correr em seu socorro, pois, salvando-o, obedeceis a essa voz do coração que vos diz: “Podeis salvá-lo; salvai-o!”

O Evangelho Segundo o Espiritismo
Por Allan Kardec

Dias Amargos

Quando as notícias a respeito da violência nos chegam, nos sobressaltamos.
Pensamos, por vezes, que não existe lugar em que nos possamos sentir totalmente seguros.
Uma mãe vai buscar a criança na escola e, enquanto a acomoda no assento de trás do carro, alguém a surpreende, dando-lhe voz de assalto.
A reação imediata é angustiante, pois ela pensa unicamente na segurança do filho e como retirá-lo da situação de perigo.
Deixamos nossos filhos na porta da escola, os vemos adentrar o local. Imaginamos que, enquanto estiverem ali, estarão seguros.
No entanto, as chamadas balas perdidas os encontram nos bancos escolares, enquanto atentos buscam iluminar seus intelectos.
Vamos às compras, andamos pelo shopping quando um arrastão nos surpreende. E tudo é tão rápido que ficamos sem ação.
Por vezes, nos esquecemos até de eventual tentativa de nos ocultarmos, de nos protegermos, em algum lugar.
Violência cotidiana. Violência no trânsito onde a impaciência, a agressividade parecem ser a tônica de quem se encontra ao volante.
A impressão que se tem é de que estamos numa grande disputa para ver quem pode mais, quem chegará antes ao seu destino, quem conseguirá ultrapassar o outro.
Tudo isso nos torna desconfiados, amargurados, de tal sorte que, às vezes, a simples proximidade de alguém ao nosso lado, nos causa sobressalto.
Uma mensagem que chegue, de repente, no celular, nos acelera os batimentos cardíacos porque imaginamos se algo aconteceu a um dos nossos amados.
Deixamo-nos intoxicar pelo panorama ruim, pelas notícias de intranquilidade.
Sim, há muita maldade na Terra.
No entanto, de igual forma, existem muitos fatos positivos, muita gente se importando com o outro, muita gente investindo tempo e recursos para o bem-estar do seu semelhante.
De um modo geral, estamos demasiadamente focados nas notícias tristes e desumanas.
Em decorrência, alimentamos pensamentos negativos e acabamos contribuindo energeticamente para fortalecer a onda de violência e terror.
Seria importante que redirecionássemos o nosso foco. Que deixássemos de nos interessar tanto pelas notícias trágicas e buscássemos saber das coisas positivas que acontecem no mundo.
Seria importante que, sabendo de mortes violentas, de maldades e crimes expressivos, não comentássemos; que os lamentássemos intimamente e orássemos pelas vítimas e por seus agressores.
Que a nossa contribuição fosse positiva. As pessoas são suficientemente infelizes pelas tragédias que padecem, não precisam ter o panorama das suas dores espalhadas e repetidas de todas as formas.
Pensemos: se fôssemos nós os envolvidos no problema, gostaríamos que os comentários se somassem e se multiplicassem?
Não seria melhor que alguém se aproximasse e nos transmitisse boas energias, um abraço, um aperto de mão?
Por isso, usemos a lente do bem, e busquemos fatos positivos na leitura da vida que nos cerca.
Sejamos luz, no mundo momentaneamente escuro.
Sejamos esperança para as almas amarguradas pela desilusão.
Com certeza, os dias amargos passarão!
Contribuamos para que isso se dê o mais rápido possível!
Redação do Momento Espírita.
Em 14.7.2018

domingo, 15 de julho de 2018

A Renúncia

O homem estava caído, com a cabeça ensanguentada. Pedro parou seu carrão e, pelo celular, chamou a ambulância.
Aproximou-se. Para estancar o sangue, rasgou um pedaço de sua camisa de linho e enfaixou a cabeça do ferido.
Quando a ambulância chegou, ele entregou seu cartão para um dos enfermeiros, pedindo que ligasse para dar notícias do pobre infeliz.
Dias depois, recebeu um telefonema. O enfermeiro Márcio avisava que aquele andarilho teria alta. Seu nome era José Carlos e não tinha familiares na cidade.
Pedro não sabia porque se interessava tanto por aquele homem. Foi ao hospital, entrou na enfermaria e aproximou-se da cama do seu protegido.
Pedro se identificou como o que o havia socorrido na rua. O atendido se emocionou. Há muitos anos ninguém se interessava por ele.
Era o homem mal cheiroso do qual todos buscavam se afastar. Lágrimas lhe umedeceram os olhos e romperam em choro convulsivo.
Pedro ficou ali parado, esperando aquele ser humano dar vazão a sua dor, que parecia reprimida dentro dele. Depois, pediu para que contasse a sua história, se assim desejasse.
José Carlos falou do pai alcoólatra, da mãe que, cansada das agressões, abandonou a família, deixando o irmão e ele nas mãos do pai.
Lembrou da fome, do irmão menor chorando, das sovas que levavam por motivo nenhum.
Um dia, depois de uma grande surra, apanhou o irmãozinho pela mão e saiu andando, prometendo que jamais voltaria para aquela casa.
Depois de muito andar, o pequenino começou a chorar. Suas perninhas doíam pelas chineladas que havia recebido, pelo cansaço. Sentia fome.
José Carlos tinha onze anos e bateu na porta de uma casa. Uma mulher de cabelos brancos, muito bonita, atendeu. Vendo o sofrimento nos olhos daquelas crianças os acolheu.
Ele nunca estivera em uma casa tão linda, nem jamais comera comidas tão gostosas.
À noite, entre os lençóis limpos, aquecido, pensou que no dia seguinte, com certeza, eles teriam que ir embora.
Mas se ele, o maior, desaparecesse, é possível que a mulher ficasse com seu irmão, tão pequeno.
Então, no meio da noite, fugiu, levando como lembrança uma meia do irmãozinho.
Nos dias seguintes, à distância, ficou acompanhando as saídas da senhora conduzindo Pedrinho.
Foram ao parque, às compras, ao mercado. Ela o segurava pela mão. Ficara com ele.
Satisfeito, José desapareceu daquela cidade. Nunca esqueceu aquela mulher-mãe que os acolheu.
Tornou-se andarilho. Muitos anos depois, retornou à cidade e ao casarão.
A família havia se mudado e ele nunca mais soube do irmão.
Foi aí, entre lágrimas, que percebeu que Pedro também chorava.
Em suas mãos, retirada da carteira de couro, José Carlos reconheceu o pé de meia do seu irmão, aquele que fazia par com o que ele carregava até hoje, como lembrança.
Sem falar nada, se abraçaram, e todos que ali passavam se emocionavam.
Quando souberam da história, choravam de alegria. Ainda hoje, naquele hospital, se fala da história de amor de um irmão que renunciou a tudo pela vida do irmãozinho.
Atualmente, os dois dirigem um lar que abriga crianças em situação de risco, a quem têm oportunidade de dar carinho e proteção.
O lar funciona naquela mesma casa bonita, onde um dia José Carlos deixou seu irmão Pedro, na esperança de que ele pudesse ter amor de mãe, bem maior do que qualquer tesouro.

Redação do Momento Espírita, a partir
de história de autoria ignorada.
Em 10.7.2018.

Prece pelo nosso País

Estamos na comoção nacional
Que atinge todos os Estados Brasileiros,
Assim, pedimos aos queridos companheiros,
Unir os nossos corações,
Em nossas sinceras orações
Pela felicidade do País.

Assim, vamos orar em nossas preces tradicionais:

Pai Nosso que estais nos Céus,
Santificado seja o vosso nome,
Venha a nós o vosso Reino,
Seja feita a vossa vontade,
Assim na Terra, como no mar e nos céus,
O pão nosso de cada dia
Dai-nos hoje, Senhor,
Perdoai as nossas dívidas e faltas,
Como perdoamos aos nossos devedores
E não nos deixeis cair em tentação
E livrai-nos do mal, de todos os males,
Assim seja, com JESUS e por JESUS!

Ave Maria,
Mãe de Jesus
Cheia de Graça,
Bendita seja entre as mulheres,
Bendito seja o fruto divino do vosso Divino Ventre
Que nos trouxe JESUS.
Assim seja, com JESUS e por JESUS.

O Senhor abençoe as nossas orações
Pela tranquilidade de nossas legiões.
Assim seja!...

Bezerra de Menezes

Rogativa

Que os nossos dirigentes nos mantenham,
O pão e a paz, o amor e a luz,
E assim trabalharemos e serviremos
Na abençoada Doutrina de Jesus!...

Maria Dolores

(Página recebida pelo Médium Francisco Cândido Xavier, em reunião pública, na noite de 3/10/1998 no Grupo Espírita da Prece – Uberaba/MG)

Trabalhadores do Senhor

III – Trabalhadores do Senhor

ESPÍRITO DE VERDADE
Paris, 1862

            5 – Chegastes no tempo em que se cumprirão as profecias referentes à transformação da Humanidade. Felizes serão os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse, e movidos apenas pela caridade! Suas jornadas de trabalho serão pagas ao cêntuplo do que tenham esperado. Felizes serão os que houverem dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos, e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, na sua vinda, encontre a obra acabada”, porque a esses o Senhor dirá: Vinde a mim, vós que sois os bons servidores, vós que soubestes calar os vossos melindres e as vossas discórdias, para que a obra não sofresse!” .
            Mas infelizes os que, por suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, porque a tempestade chegará e eles serão levados no turbilhão! Nessa hora clamarão: “Graça! Graça!” Mas o Senhor lhes dirá: “Por que pedis graça, se não tivestes piedade de vossos irmãos, se vos recusastes a lhes estender as mãos, e se esmagastes o fraco em vez de o socorrer? Por que pedis graça, se procurastes a recompensa nos prazeres da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebeste a vossa recompensa, de acordo com a vossa vontade. Nada mais tendes a pedir. As recompensas celestes são para aqueles que não houverem pedido recompensas da Terra”.
            Deus faz, neste momento, a enumeração dos seus servidores fiéis. E já marcou pelo seu dedo os que só têm a aparência do devotamento, para que não usurpem o salário dos servidores corajosos. Porque é a esses, que não recuaram diante de sua tarefa, que vai confiar os postos mais difíceis, na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. E estas palavras se cumprirão: “Os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros no Reino dos Céus!”.

O Evangelho Segundo o Espiritismo
Por Allan Kardec



sexta-feira, 13 de julho de 2018

O Ponto de Vista

5 – A ideia clara e precisa que se faça da vida futura dá uma fé inabalável no porvir, e essa fé tem consequências enormes sobre a moralização dos homens, porque muda completamente o ponto de vista pelo qual eles encaram a vida terrena. Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais do que rápida passagem, uma breve permanência num país ingrato. As vicissitudes e as tribulações da vida são apenas incidentes que ele enfrenta com paciência, porque sabe que são de curta duração e devem ser seguidos de uma situação mais feliz. A morte nada tem de pavoroso, não é mais a porta do nada, mas a da libertação, que abre para o exilado a morada da felicidade e da paz. Sabendo que se encontra numa condição temporária e não definitiva, ele encara as dificuldades da vida com mais indiferença, do que resulta uma calma de espírito que lhe abranda as amarguras.
                Pelas simples dúvida sobre a vida futura, o homem concentra todos os seus pensamentos na vida terrena. Incerto do porvir, dedica-se inteiramente ao presente. Não entrevendo bens mais preciosos que os da Terra, ele se porta como a criança que nada vê além dos seus brinquedos e tudo faz para os obter. A perda do menor dos seus bens causa-lhe pungente mágoa. Um desengano, uma esperança perdida, uma ambição insatisfeita, uma injustiça de que for vítima, o orgulho ou a vaidade ferida, são tantos outros tormentos, que fazem da sua vida uma angústia perpétua, pois que se entrega voluntariamente a uma verdadeira tortura de todos os instantes.
                Sob o ponto de vista da vida terrena, em cujo centro se coloca, tudo se agiganta ao seu redor. O mal o atinge, como o bem que toca aos outros, tudo adquire aos seus olhos enorme importância. É como o homem que, dentro de uma cidade, vê tudo grande em seu redor: os cidadãos eminentes como os monumentos; mas que, subindo a uma montanha, tudo lhe parece pequeno.
                Assim acontece com aquele que encara a vida terrena do ponto de vista da vida futura: a humanidade, como as estrelas no céu, se perdem na imensidade; ele então se apercebe de que grandes e pequenos se confundem como as formigas num monte de terra; que operários e poderosos são da mesa estatura; e ele lamenta essas criaturas efêmeras, que tanto se esfalfam para conquistar uma posição que os eleva tão pouco e por tão pouco tempo. É assim que  importância atribuída aos bens terrenos está sempre na razão inversa da fé que se tem na vida futura.   
                6 – Se todos pensarem assim, dir-se-á, ninguém mais se ocupando das coisas da Terra, tudo perigará. Mas não, porque o homem procura instintivamente o seu bem estar, e mesmo tendo a certeza de que ficará por pouco tempo em algum lugar, ainda quererá estar o melhor ou o menos mal possível. Não há uma só pessoa que, sentindo um espinho sob a mão, não a retire para não ser picada. Ora, a procura do bem estar força o homem a melhorar todas as coisas, impulsionado como ele é pelo instinto do progresso e da conservação, que decorre das próprias leis da natureza. Ele trabalha, portanto, por necessidade, por gosto e por dever, e com isso cumpre os desígnios da Providência, que o colocou na Terra para esse fim. Só aquele que considera o futuro pode dar ao presente uma importância relativa, consolando-se facilmente de seus revezes, ao pensar no destino que os aguarda.
                Deus não condena, portanto, os gozos terrenos, mas o abuso desses gozos, em prejuízo dos interesses da alma. É contra esse abuso que se previnem os que compreendem estas palavras de Jesus: O meu reino não é deste mundo.
                Aquele que se identifica com a vida futura é semelhante a um homem rico, que perde uma pequena soma sem se perturbar; e aquele que concentra os seus pensamentos na vida terrestre é como o pobre que ao perder tudo o que possui, cai em desespero.
                7 – O Espiritismo dá amplitude ao pensamento e abre-lhe novo horizonte. Em vez dessa visão estreita e mesquinha, que o concentra na vida presente, fazendo do instante que passa sobre a terra o único e frágil esteio do futuro eterno, ele nos mostra que esta vida é um simples elo do conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador, e revela a solidariedade que liga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos o mundos. Oferece, assim, uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma, no momento do nascimento de cada corpo, faz que todos os seres sejam estranhos uns aos outros. Essa solidariedade das partes de um mesmo todo explica o que é inexplicável, quando apenas consideramos uma parte. Essa visão de conjuntos, os homens do tempo de Cristo não podiam compreender, e por isso o seu conhecimento foi reservado para mais tarde.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Por ALLAN KARDEC

A Outra Janela

A menina debruçada na janela trazia nos olhos grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor causado pela morte do seu cão de estimação.
Com pesar, observava atenta o jardineiro a enterrar o corpo do amigo de tantas brincadeiras. A cada pá de terra jogada sobre o animal, sentia como se sua felicidade estivesse sendo soterrada também.
O avô, que observava a neta, aproximou-se, envolveu-a num abraço e falou-lhe com serenidade: Triste a cena, não é verdade?
A netinha ficou ainda mais triste e as lágrimas rolaram em abundância.
No entanto, o avô, que sinceramente desejava confortá-la, chamou-lhe a atenção para outra realidade. Tomou-a pela mão e a conduziu até uma janela opostamente localizada na ampla sala.
Abriu as cortinas e permitiu que ela visse o imenso jardim florido à sua frente, e lhe perguntou carinhosamente:
Está vendo aquele pé de rosas amarelas, bem ali à frente?
Lembra-se de que me ajudou a plantá-lo? Foi num dia de sol como o de hoje, que nós dois o plantamos.
Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos, e hoje... Veja como está lindo, carregado de flores perfumadas e botões como promessa de novas rosas!
A menina enxugou as lágrimas que ainda teimavam em permanecer em suas faces e abriu um largo sorriso.
Mostrou as abelhas que pousavam sobre as flores e as borboletas que faziam festa entre uma e outra, e as tantas rosas de variados matizes, que enfeitavam o jardim.
O avô, satisfeito por tê-la ajudado a superar o momento de dor, falou-lhe com afeto:
Veja, minha filha, a vida nos oferece sempre várias janelas.
Quando a paisagem de uma delas nos causa tristeza, sem que possamos alterar-lhe o quadro, voltemo-nos para outra, e certamente nos depararemos com uma paisagem diferente.
Tantos são os momentos felizes que se desenrolam em nossa existência. Tantas oportunidades de aprendizado nos visitam no dia a dia, que não vale a pena chorar e sofrer diante de quadros que não podemos alterar.
São experiências valiosas das quais devemos tirar as lições oportunas, sem nos deixar tragar pelo desespero e pela revolta, que só infelicitam e denotam falta de confiança em Deus.
A nossa visão do mundo ainda é muito limitada, não temos a capacidade de perceber os objetivos da Divindade, permitindo-nos os momentos de dor e sofrimento.
Mas Deus tem sempre objetivos nobres e uma proposta de felicidade a nos aguardar, após cada dificuldade superada.
*   *   *
Se hoje você está a observar um quadro desolador, lembre-se de que existem outras tantas janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias.
Não se permita contemplar a janela da dor. Aproveite a lição e siga em frente com ânimo e disposição.
O sofrimento que hoje nos parece eterno, não resiste à força das horas que a tudo modifica.
A luz sempre vence as trevas, basta que tenhamos disposição íntima e coragem de voltar-nos para ela.
Agindo assim, o gosto amargo do sofrimento logo cede lugar ao sabor agradável de viver, e saber que Deus nos ampara em todos os momentos da nossa vida.
Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 3, ed. FEP.
Em 11.7.2018.

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...