domingo, 18 de março de 2018

Nossa Escolha

Observando a realidade que nos cerca, rica de progressos e conquistas alcançadas, percebemos que temos infinitas possibilidades de escolhas em qualquer área.
Da mesma forma podemos observar que nossas escolhas são feitas de acordo com nossas preferências, razão pela qual nos alimentaremos sempre daquilo que buscarmos.
Assim é que, focando a música, por exemplo, existem as calmas, suaves, que embalam a mente, nos proporcionando harmonia íntima e convidando à reflexão positiva.
Por outro lado, temos as que excitam à violência e ao desassossego.
Optar por uma ou outra, é nossa escolha.
Quanto às leituras, temos em grande quantidade as que nos instruem, edificam, esclarecem.
Também as extravagantes e sensuais que degradam, que corrompem e nos desvalorizam moralmente.
Nossa escolha nos levará ao que desejamos.
Se focamos a mídia eletrônica teremos ótimos programas e filmes que nos estimularão ao amor, à valorização da vida, aos bons costumes.
Porém, teremos em grande quantidade, programação decadente e anti-instrutiva, que nos poderá conduzir à derrocada moral.
De acordo com nossas tendências, será a nossa escolha.
Na vida social, poderemos nos reunir a grupos onde as conversações se encaminham para assuntos vulgares que relaxam o caráter, banalizando as horas.
Ou poderemos selecionar grupos que preservam os assuntos nobres e sadios, que levantam o ânimo e prezam a dignidade.
A escolha que fizermos, optando por essa ou aquela atitude, identificará a faixa de sintonia em que permanecemos e quais os nossos objetivos de vida.
Sempre, agindo por nós mesmos, ou atendendo a sugestões de outros, colheremos hoje ou amanhã, o fruto de nossos próprios atos.
*   *   *
Muitos apregoamos a ideologia da beleza física, da riqueza e da posição social destacada, como meta de uma felicidade idealizada.
Contudo, a beleza desaparece com o tempo ou mesmo frente a uma doença arrasadora. A riqueza muda de mãos rapidamente, e a posição social se desfaz diante da miséria ambulante.
Nosso objetivo deve ser, portanto, educar nossas tendências, nos tornando a cada dia melhores do que fomos nos dias anteriores.
Não temos o poder de melhorar as escolhas dos demais, mas devemos ser exemplo, nos melhorando constantemente.
E, nosso foco pessoal deve ser nosso aprimoramento intelectual e moral.
Aprimorando-nos, nossas tendências se modificarão, nossas sintonias serão outras e nossas escolhas serão as melhores.
Também deixaremos nos que se encontrem ao nosso lado no caminho, mesmo que anonimamente, nossas marcas de força e de otimismo.
Dessa forma, respeitemos os que se nos distanciam na estrada do progresso, pois que dia também chegará, em que eles despertarão para um novo objetivo de vida.
Somos todos irmãos em caminhada no rumo da perfeição, porém, cada qual responde pelas escolhas feitas, nas determinadas ocasiões vivenciadas.
Saibamos escolher os caminhos que nos conduzam ao bem, à paz de consciência, ao crescimento de nossas condições íntimas.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. LXVII,
do livro
Vida feliz, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia  de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 17.3.2018.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Marcas de Nascença na visão espírita

Muitas pessoas carregam marcas de nascença, chegando a virar até uma identidade pessoal em alguns. E vem a curiosidade sobre a marca, do por que dela. No entanto, a curiosidade é algo inevitável para que tem marca de nascença. No entanto, será que estamos realmente preparados para saber da sua origem?

Na visão espírita as marcas, os sinais, as manchas de nascença, são indícios que evidenciam uma vida anterior, à vida atual, ou seja, é uma evidência da reencarnação.

Quanto maior o trauma, ou ferimento de grande intensidade, e pouco tempo antes da morte, ou qualquer outra causa que afetou profundamente o emocional do indivíduo como uma queimadura, ou ferida, ou determinados tipos de morte trágica, acidentais... Pode deixar marcas que atingem de certa forma o corpo espiritual, isto é, o períspirito; a intensidade emocional do acontecimento, cria uma marca semelhante no períspirito; então as informações que o períspirito carrega, transmite para o corpo que está se formando na gestação, dessa vez com a marca. Ou seja, o Espiritismo nos esclarece que as marcas de nascença existem por causa de experiências vivenciadas com muita intensidade emocional em alguma vida passada, e tais experiências intensas ficam gravadas na consciência do espírito, que não superou tal acontecimento, e assim quando tal espírito reencarna novamente ainda carregando tais lembranças transporta para o corpo físico em forma de marca tais experiências do seu passado na matéria, para superar tais acontecimentos do passado com as experiências adquiridas na vida atual.

Por que não lembramos do acontecimento que causou tais marcas? Por que não lembramos das nossas vidas passadas?
Deus, como um pai que protege os seus filhos, e em Sua Infinita Sabedoria, sabendo que AINDA não somo capazes de superar o nosso passado nem de aceitar o passados das outras pessoas, Lançou o véu do esquecimento sobre nós; o fato de não lembrarmos do passado é porque não seria interessante para nós. As lembranças do passado só vem quando necessitamos realmente e quando Deus permite lembrarmos ou receber informações do nosso passado para o nosso próprio bem, em que vai ter proveito para algum entendimento que estejamos necessitados. E a espiritualidade benfeitora nos informa que nem sempre estamos preparados para saber a origem de tais marcas, que é melhor a vida seguir, e não dar tanta importância para as marcas, porque algumas vezes podemos ficar abalados com tais informações da sua origem, e não sermos maduros o bastante para saber administrar tais informes.

O que se tem a fazer é conviver com tais marcas, no entanto, quando se estiver liberto do corpo físico pelo desencarne, as marcas vão desaparecer do perispírito a medida em que o espírito compreender os fatos e for se depurando, isto é, for removendo as suas impurezas, as suas imperfeições, os seus erros; pois cada vida é uma história, embora acontecimentos tenham marcado o individuo de tal forma que reflete no corpo físico atual, estes fatos tem que ser superados, pois o passado existe para ser aceitado e superado, existe para que o perdão seja exercido tanto para com outros como a si mesmo. A curiosidade bate obviamente, mas é esta curiosidade que diz: “É passado, estou em uma nova vida, em uma nova oportunidade, em uma nova experiência. Isto passou”.

Nós espíritas sabemos que existe algo muito mais importante do que um capricho de curiosidade, que é dedicarmos ao nosso aperfeiçoamento com os ensinos de Jesus Cristo, e assim seguir cada vez mais o caminho do bem, da caridade do amor ao próximo, é compreender a nós mesmos para nos elevarmos e ir depurando, limpado o espírito das suas imperfeições, dos seus erros, sabemos que devemos viver para nos aprimorar sempre deixando para traz os traumas que o espírito carrega, para ir educando-o para o auto progresso. O que tem que ser motivo de nossa curiosidade é Jesus, que os seus ensinamentos nos ensina a descobrir a nós mesmos, a nos superar, a deslumbrar novos horizontes, a ter a vontade de fazer nossa própria luz brilhar e assim desfazermos das nossas imperfeições e lembranças amargas do passado.

Lembrando que é apenas com a permissão de Deus que podemos saber de algo do passado, ninguém está apto para decifrar o passado de ninguém, apenas se Deus assim o permitir, e Deus só permite quando é necessário. Pois, se for por termos de curiosidade, Ele sabe que não é necessário. Precisamos nos aceitar. Deus sabe o que Faz. E Jesus é o remédio para tudo, pois é com ele que tudo compreendemos.

Fonte: Blog Jardim Espírita
(autor desconhecido)

Almas Afins

QUANDO AS ALMAS VIBRAM NA MESMA SINTONIA ELAS SE ATRAEM E SE RECONHECEM


Os encontros mais importantes, já foram combinados pelas almas antes mesmo que os corpos se vejam... (Paulo Coelho)

Dizem que vivemos várias vidas… Se formos analisar a vida do espírito, podemos dizer que vivemos uma só, ora em um corpo físico e ora fora dele, na construção do Eu que se modifica e engrandece nas várias existências, em diversos corpos e diversas “personalidades”, embora essas nunca percam sua essência.

Uma vez conquistado ou aprendido um atributo do espírito, como a paciência, resiliência, capacidade de perdoar, etc., esses não se perdem. Carregamos sempre conosco esses bens espirituais, nossos verdadeiros tesouros.

Não somos os mesmos de outras existências físicas, assim como não somos os mesmos de 10 anos, 5 anos, 1 ano, 1 mês atrás. Pois estamos em constante mudança, crescimento e renovação íntima. Mas os laços que criamos com aqueles que nos relacionamos não desatam, apenas se esticam ou se afrouxam. E sendo a vida contínua, as histórias provavelmente não terminam com a morte do corpo físico, e sim quando atingido seu objetivo.

E se formos considerar uma vida sendo uma história construída com pessoas específicas, podemos considerar que em uma existência física vivemos várias vidas, pois vivemos várias histórias com pessoas distintas.

Hoje em dia tudo virou “carma”, seja bom ou ruim. No caso do ruim sentimos, por exemplo, aquela impressão do “meu santo não bate com o dele”, e enquanto não nos acertarmos com o outro podemos sim viver a mesma história com a mesma pessoa por várias existências físicas. (Pode ser então que eu tenha que suportar o mesmo marido ou mulher por várias outras vidas além dessa?)

Temos que ter em mente que não estamos aqui para suportarmos uns aos outros, e sim para aprendermos a amar. Enquanto estivermos suportando ficamos presos, quando aprendemos a amar, nos libertamos.

Com relação ao carma bom, é aquela sensação boa de reencontro, simpatia, alegria. O que faz com que queiramos nos relacionar com uns ao invés de outros. Sendo a história do espírito uma escrita constante, ela não cessa com as mudanças físicas, e sim retoma do ponto anterior, após uma pequena ou longa pausa.

Daí vem o especial, a saudade sem razão, as fortes emoções, etc. Pois quando as almas vibram na mesma sintonia elas se atraem e se reconhecem, independente dos corpos que habitam.

Os Servidores de Deus

De um modo geral, a expressão servo de Deus nos remete a religiosos, encerrados em templos, envoltos em orações e atos de caridade.
No entanto, a grandeza do Pai não é limitada. Consequentemente, nem o campo que oferece aos Seus filhos para a semeadura do bem.
Por isso, Seus servidores se multiplicam pela Terra e se apresentam em inúmeras e extraordinárias facetas.
Samuel Broder é um exemplo. Chegara na América com um punhado de poloneses sobreviventes do holocausto hitleriano. Crescera nas ruas de um subúrbio de Detroit.
Logo descobrira que as carreiras científicas eram aquelas em que se podia vencer na vida sem dinheiro e sem status social.
Conseguindo as melhores notas em ciências, ganhou uma bolsa para a Universidade de Michigan.
Conforme suas próprias palavras, ele adentrou em um outro planeta.
Para um rapaz saído de um gueto operário, cujo sonho mais grandioso deveria ser um emprego de metalúrgico na Ford ou na Chrysler, surpreendeu-se ao dividir o quarto com um colega que estudava noite e dia para se tornar compositor.
Em poucos meses, a imaginação daquele jovem imigrante sedento de saber, se inflamaria e ele definiria sua verdadeira vocação: a ciência.
Inspirado pela Oração do homem de ciência, idealizada por um grande escritor americano, gravara em seu coração e em sua memória cada palavra:
Ó Deus, dai-me uma visão sem nuvens e livrai-me da pressa.
Dai-me a coragem de opor-me a toda vaidade e de perseguir, como puder e até o fim, cada uma de minhas tarefas.
Dai-me a vontade de não aceitar nunca o repouso ou a homenagem antes de ter podido verificar se meus resultados correspondem a meus cálculos.
Ou de poder descobrir e consertar meus erros.
Com essa disposição, ao adentrar o laboratório que lhe abriu um dos seus professores, teve a inspiração para a sua vida profissional: o câncer.
Dias e noites inteiros ele se fechava no laboratório para aprender a fabricar anticorpos destinados a combater as células cancerosas.
Nem sempre eram produtivos seus esforços. Reconhecia, contudo, que mesmo seus fracassos não eram inúteis.
A diferença, dizia, entre um grande sábio e um pesquisador medíocre está no fato de que um sabe fazer as perguntas certas, o outro não.
Um é capaz de se servir das tecnologias de ponta, o outro, não.
Dessa forma, ele se colocara na vanguarda da luta contra o câncer.
Com a irrupção da AIDS, ele tomou uma grande decisão: enfrentar o vírus suspeito de ser seu causador, pesquisando um medicamento capaz de bloquear a sua ação.
Era uma iniciativa perigosa porque ninguém podia avaliar os riscos que poderia causar a manipulação, em laboratório, de concentrados importantes de vírus vivos.
Dos seus cinco colaboradores, dois, de imediato, deixaram o laboratório.
Na época, primavera-verão de 1983, a equipe de Samuel Broder foi a única que aceitou trabalhar na pesquisa, apesar dos riscos.
Para o Dr. Samuel, com seus quarenta anos, pai de duas meninas, havia ainda o risco de levar esse vírus para casa e as contaminar.
Mas, ele aceitou todos os riscos em nome do amor.
Samuel Broder, como outros tantos pesquisadores devotados, é um servidor de Deus, materializando Sua misericórdia entre os seus irmãos, na Terra.
Aprendamos a reconhecê-los e agradeçamos a Deus pelas suas existências.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 38,
do livro
Muito além do amor, de Dominique Lapierre,
ed. Salamandra.
Em 15.3.2018.

segunda-feira, 12 de março de 2018

A Benção da Vida

O hábito de reclamar da própria vida é bastante difundido.
Parece sempre haver algo desagradável e injusto na existência que se leva.
Às vezes é o dinheiro que falta. Em outras a profissão que não agrada.
Há quem reclame de sua aparência, da família que tem, dos problemas que vivencia.
Em casos mais graves, pode passar pela mente a ideia de tudo abandonar.
Ocorre que a vida é uma bênção maravilhosa.
A Divindade investe suas graças mais pujantes em cada renascimento que se opera na face do planeta.
Constitui uma profunda ingratidão rejeitar a oportunidade recebida do Criador.
Toda reencarnação é precedida de cuidadosos preparos.
Traça-se um mapa do contexto em que cada homem e cada mulher se verão envolvidos.
Tudo com o propósito de que cresçam, aprendam e libertem-se do que os prende à ilusão e ao sofrimento.
Amigos dedicados auxiliam na programação, com infinito carinho.
A Providência Divina se desdobra em cuidados.
Finalmente, após muita preparação e cercado de expectativas, eis que o ser ressurge no mundo material.
Como ele veio a trabalho, será chamado ao esforço próprio.
Deverá mostrar seu valor, superar dificuldades e vencer velhos vícios.
Mas sempre cercado de amor e cuidados.
Seus mentores espirituais o observam, inspiram-no, orientam-no, torcem por ele.
Ninguém jamais está abandonado ou sozinho.
A Misericórdia Divina sempre está atenta e operosa.
Ela trata de fazer chegar a cada um os recursos de que necessita.
Pode ser a inspiração em um momento no qual se hesita entre o vício e a virtude.
Ou a figura de um amigo, cuja presença calorosa torna a vida mais fácil.
Ou então um grande afeto que surge de repente.
Absolutamente todos seguem bafejados pelo amor de Deus.
Precisam se esforçar, claro.
Mas oportunidades e bênçãos jamais escasseiam.
Mesmo quando tudo parece perdido, é preciso encontrar forças e seguir adiante.
A Providência Divina possui recursos infinitos e jamais é avarenta de bênçãos.
No momento certo, ela se manifesta das mais diferentes formas.
Assim, evite reclamar da vida que você leva.
Em especial, nem pense em fugir dos seus compromissos, em desertar do palco do mundo.
Você foi posto nele com muito carinho e mãos extremamente amorosas o sustentam e embalam de forma incansável.
Quando defrontado por dores e desilusões, entre em contato com a Divindade.
Adote o hábito da oração, relate seus problemas ao Criador e se abra para a orientação que certamente virá.
Como filho imensamente amado, você segue rumo a um destino angelical.
Apenas precisa ter a coragem de seguir adiante.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita.
Em 16.03.2011.

A Felicidade não é deste mundo

III – A Felicidade Não É Deste Mundo

FRANÇOIS-NICOLAS-MADELAINE
Cardeal Morlot, Paris, 1863

            20
– Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! Exclama geralmente o homem, em toda as posições sociais. Isto prova, meus caros filhos, melhor que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo”. Com efeito, nem a fortuna, nem o poder, nem mesmo a juventude em flor, são condições essenciais da felicidade. Digo mais: nem mesmo a reunião dessas três condições, tão cobiçadas, pois que ouvimos constantemente, no seio das classes privilegiadas, pessoas de todas as idades lamentarem amargamente a sua condição de existência.
            Diante disso, é inconcebível que as classes trabalhadoras invejem com tanta cobiça a posição dos favorecidos da fortuna. Neste mundo, seja quem for, cada qual tem a sua parte de trabalho e de miséria, seu quinhão de sofrimento e desengano. Pelo que é fácil chegar-se à conclusão de que a Terra é um lugar de provas e de expiações.
            Assim, pois, os que pregam que a Terra é a única morada do homem, e que somente nela, e numa única existência, lhe é permitido alcançar o mais elevado grau de felicidade que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam aqueles que os ouvem. Basta lembrar que está demonstrado, por uma experiência multissecular, que este globo só excepcionalmente reúne as condições necessárias à felicidade completa do indivíduo.
            Num sentido geral, pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia, a cuja perseguição se lançam as gerações, sucessivamente, sem jamais a alcançarem. Porque, se o homem sábio é uma raridade neste mundo, o homem realmente feliz não se encontra com maior facilidade.
            Aquilo em que consiste a felicidade terrena é de tal maneira efêmera para quem não se guiar pela sabedoria, que por um ano, um mês, uma semana de completa satisfação, todo o resto da existência se passa numa sequência de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos que estou falando dos felizes da Terra, desses que são invejados pelas massas populares.
            Consequentemente, se a morada terrena se destina a provas e expiações, é forçoso admitir que existem, além, moradas mais favorecidas, em que o Espírito do homem, ainda prisioneiro de um corpo material, desfruta em sua plenitude as alegrias inerentes à vida humana. Foi por isso que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão um dia gravitar, quando estiverdes suficientemente purificados e aperfeiçoados.
            Não obstante, não se deduza das minhas palavras que a Terra esteja sempre destinada a servir de penitenciária. Não, por certo! Porque, do progresso realizado podeis facilmente deduzir o que será o progresso futuro, e das melhoras sociais já conquistadas, as novas e mais fecundas melhoras que virão. Essa é a tarefa imensa que deve ser realizada pela nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.
            Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime, e que cada um dentre vós se despoje energicamente do homem velho. Entregai vos inteiramente à vulgarização desse Espiritismo, que já deu início à vossa própria regeneração. É um dever fazer vossos irmãos participarem dos raios dessa luz sagrada. À obra, portanto, meus caros filhos! Que nesta reunião solene, todos os vossos corações se voltem para esse alvo grandioso, de preparar para as futuras gerações um mundo em que felicidade não seja mais uma palavra vã.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Por Allan Kardec

Os Desafios da Vida

Abrir a caixa de um quebra-cabeças pela primeira vez, desses de milhares de minúsculas peças, é como se deparar com um grande desafio da vida.
Num primeiro momento, parece impossível. As partes são muito parecidas. Algumas delas, somos capazes de jurar, são idênticas em cor, formato e encaixe.
Como encontrar cada pedaço de um céu azul da paisagem, se todos são iguais? Por que essa peça iria aqui e não ali? Como distinguir cada peça verde de uma grande mata se todas têm nuances de cor tão similares?
Alguns se desesperam: Isso não é para mim! O que eu estou fazendo aqui? – Dizem.
Existem aqueles que simplesmente desistem.
Outros ficam ali, olhando por alguns minutos, atônitos...
Por onde começar?
Se temos paciência e um pouco de perseverança, observamos a imagem da caixa. A pintura, a paisagem bela que daquela confusão poderá sair um dia, quem sabe...
E ela parece nos dizer: Vale a pena tentar! Será compensador!
Olhamos para a caixa, olhamos para as peças. E tornamos a olhar.
Então, um fenômeno interessante começa a acontecer. Conforme vamos focando em um ponto da imagem, nosso cérebro vai passando uma revista pelas peças, uma revista detalhada.
Aí, aquelas pecinhas que pareciam ser todas iguais, da mesma cor, começam a se mostrar um pouco distintas. Elas têm pequenos detalhes que as diferenciam umas das outras. Até as cores não são as mesmas.
No azul encontramos diferentes tons e nessa e naquela há uma pequena mancha na ponta que não havíamos visto antes.
Tudo acontece em função do foco. Estamos focados, atentos, dedicados.
Nunca conseguiremos resolver problemas e vencer desafios sem foco, sem atenção.
Nesse momento, o peito ansioso acalma. A respiração muda. A visão parece ficar mais poderosa. Estamos enxergando coisas que não enxergávamos antes!
Nossa performance melhora. Vislumbramos alguma forma. São quinze, vinte peças juntas que nos animam a continuar, até que chega um momento terrível: a procura por uma peça específica que parece não estar na mesa.
É uma peça fundamental, importante para terminar aquela fase, ou uma área determinada, e não a encontramos.
Tudo para...
Voltamos a pensar que não somos capazes de concluir.
*   *   *
Assim também acontece com os problemas complexos.
Nesse caso, temos dois caminhos a seguir. O primeiro é darmos uma pausa, mudarmos os pensamentos, sair, arejar a mente, falar sobre outras coisas. Darmos tempo ao tempo.
O segundo é pedir ajuda. Afinal, quem disse que temos que resolver nossos problemas sozinhos?
Não há vergonha nisso. Não é sinal de fraqueza. No exemplo de que nos servimos, montar um quebra-cabeças na companhia de alguém é muito mais divertido.
Veremos que logo estaremos no caminho novamente e que uma ajuda é sempre muito bem-vinda.
Por fim, encarando os desafios de frente, passando pelos problemas e passando bem, iremos perceber que saímos mais fortes, mais maduros, assim como quem termina a montagem de um quebra-cabeças.
E levaremos conosco a lição da concentração, da perseverança, da tranquilidade, pelo êxito alcançado, pela dificuldade vencida.

Redação do Momento Espírita.
Em 8.3.2018.

Justiça das Aflições

    1  – Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-venturados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-...